Problemas de memória e o Novo Banco

Nota à la Minuta
Terça-feira, 26 Maio 2020
Problemas de memória e o Novo Banco
  • Alberto Magalhães

 

 

A memória é uma coisa lixada. Recordemos a venda do Novo Banco, com a ajuda do DN de 18 de Julho de 2017, que citava o contrato, publicado na véspera, entre o Banco de Portugal e Sérgio Monteiro que, enquanto secretário de Estado dos Transportes do governo de Passos Coelho, privatizara os CTT, a ANA e a CP Carga. O contrato, de acessoria à venda do Novo Banco, rendia-lhe 30 mil euros até Agosto, altura em que o negócio com o fundo abutre Lone Star estaria concretizado.

Mas, esta verba era apenas uma pequena parte do que o “especialista” em delapidação do património do Estado ganhou com o negócio: mais de 480 mil euros, para levar a Lone Star a aceitar o banco de presente, injectando-lhe 750 milhões no acto da compra e mais 250 milhões no prazo de 3 anos. Em troca, o Fundo de Resolução (com dinheiro emprestado por todos nós) garantiria perdas futuras até ao montante de 3900 milhões, a somar aos 4900 milhões já injectados aquando da falência do BES (dos quais 3900 também emprestados por nós).

A venda foi concretizada a 18 de Outubro. Em 2 de Outubro, o governo decidira já disponibilizar as verbas para o Fundo de Resolução poder cumprir os seus compromissos.

Agora, pergunto eu: o Banco de Portugal portou-se responsavelmente ao contratar Sérgio Monteiro e pagar-lhe meio milhão de euros para facilitar esta venda, aparentemente, uma autêntica pechincha dispensando mediador? Ou a venda era tão cheia de escolhos que nenhum dos, tão bem pagos, técnicos e génios do Banco de Portugal, estava à altura de a conduzir? Ou teriam mais que fazer?

Outras questões: o Governo não tinha alternativa senão aceitar este negócio com a Lone Star? Bruxelas obrigou? As alternativas eram todas piores? Existem mesmo cláusulas de confidencialidade no contrato? Porquê? Precisamos de reavivar a memória e perceber.

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