Problemas de Saúde Mental a crescer

Nota à la Minuta
Terça-feira, 23 Março 2021
Problemas de Saúde Mental a crescer
  • Alberto Magalhães

 

 

A pandemia, para além das terríveis e evidentes consequências sanitárias e económico-sociais, terá efeitos na saúde mental das populações, que nos devem começar a preocupar desde já. Por exemplo, é cada vez mais visível a crescente dificuldade da população mais jovem se manter em recato, sem desafiar as regras de distanciamento. É verdade que a crescente dependência dos ecrãs e a, também crescente, dificuldade de relação entre sexos, já tinham criado as bases para algum distanciamento entre rapazes e raparigas.

Mas, de há um ano para cá, é a vida afectivo-sexual desde o despertar da puberdade aos encontros e namoros de jovens adultos que está totalmente posta em causa. É toda a aprendizagem do relacionamento amoroso que se vê prejudicada, com uma exigência de castidade tão extrema como não se via desde o tempo dos bisavós. Campo fértil para a revolta e a transgressão. Ou, pelo contrário, para a depressão. Em qualquer dos casos, o prognóstico é reservado e é melhor estarmos preparados.

Segundo exemplo, tratado pela jornalista Natália Faria, na edição de ontem do Público. O uso de máscaras, por educadoras e auxiliares, sobretudo nos berçários e nas creches pode estar a prejudicar o desenvolvimento de muitos bebés. Estes dependem sobremaneira da leitura que fazem do rosto dos cuidadores, para se orientarem, para aprenderem, para se sentirem seguros.

Também já aqui falei do que poderão ser as consequências catastróficas da pandemia na aprendizagem da leitura e escrita e da matemática.

Há quem diga que as crianças e os jovens são resilientes e que a maioria recuperará sem problemas. Eu não estou tão optimista quanto a isso. O melhor é estarmos preparados, porque não vai ser fácil.

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