Profissão: Presidente de Câmara

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 29 Março 2021
Profissão: Presidente de Câmara
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Isto de Presidentes de Câmara de outros concelhos serem candidatos à Câmara de Évora quando a lei já não lhes permite candidatar-se nos seus concelhos, está a tornar-se moda.
Primeiro foi Pinto de Sá, actual presidente da Câmara Municipal pela CDU, que depois de uma série de mandatos em Montemor-o-Novo, já não podendo candidatar-se mais por lá, candidatou-se por Évora.

Agora é a vez de José Calixto, o actual presidente da Camara de Reguengos de Monsaraz, ser o candidato do Partido Socialista à Camara Municipal de Évora. A lei limita o exercício do cargo a 3 mandatos – no concelho segundo a interpretação do Tribunal Constitucional – e Calixto termina agora o seu terceiro mandato em Reguengos.

Em boa verdade esta notícia que não foi grande novidade porque já há bastante tempo que era vox populi que José Calixto tinha esse desejo e era um dos nomes que estava sobre a mesa do PS.

Aliás, este anúncio demorou um pouco mais do que se esperava porque, como há anos ouvi dizer a um socialista, há factos que quando são notícia pegam-se a um homem como os carrapatos.

E de facto, com a actuação enquanto presidente da Fundação que detém o lar de idosos de Reguengos e, recentemente, por ser vacinado contra a Covid 19 à frente de tantas outras pessoas prioritárias, há carrapatos na actuação recente do candidato Calixto.

Depois de décadas à frente de Câmaras é certo que os ex-presidentes são forçosamente pessoas que conhecem os meandros da gestão autárquica. Afastaram-se dos referenciais que os levaram a candidatar-se, pela primeira vez, tornaram-se profissionais dos cargos autárquicos e acham-se capazes de gerir não importa que territórios, nem que gentes.

Mas sinceramente em que princípios assenta o poder local democrático? Na experiência de gestão, não importa onde, ou no conhecimento directo e no projecto político para o território em que se vive, o conhecimento directo das dificuldades e aspirações das populações de que se faz parte e no sentimento de pertença à comunidade, expresso na 1ª pessoa?

Évora exerce uma particular atracção sobre os Presidentes de Câmara de municípios vizinhos, constitui uma espécie de promoção, mas como mandam os princípios republicanos, o exercício de cargos políticos públicos não é carreira, é transitório.

Com o devido respeito, não me parece que profissionalizar a gestão dos municípios cumpra o desiderato de Abril e seguramente, no meu conceito, não é poder local democrático.

A ser assim, ainda virá quem defenda que se deve a recorrer à contratação de gestores profissionais em vez de levarmos a cabo eleições.

Até para a semana.

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