Proibido criticar, aprender e ensinar

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 28 Janeiro 2021
Proibido criticar, aprender e ensinar
  • Alberto Magalhães

 

 

Por vezes, é difícil acreditar no que ouvimos da boca dos que governam o país em nosso nome. Esta semana, por exemplo, na RTP, a ministra da Saúde chamou criminosos aos que a criticam e vêm exercendo, queixou-se, bullying sobre ela. Respondia assim a Jorge Soares, presidente da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida, que acabara de lamentar a muita dificuldade dos portugueses em “antecipar cenários e programar medidas”, lamento que a jornalista Fátima Campos Ferreira se atreveu a traduzir como “falta de planeamento”.

Que, em democracia, uma ministra se atreva a ‘criminalizar’ a crítica e, pior, que nas redes sociais seja elogiada, por milhares de cidadãos, por ter arrasado com os críticos e a sua maledicência, mostra bem que 47 anos de democracia ainda não apagaram os hábitos mentais adquiridos em 48 anos de Estado Novo.

Olhe-se agora para o Decreto nº3-C de 22 de Janeiro, que altera a regulamentação do estado de emergência e que procede “à suspensão das actividades educativas e lectivas dos estabelecimentos de ensino públicos, particulares e cooperativos”. O ministro da Educação veio dizer que, a bem da igualdade, não haveria ensino à distância em escola nenhuma, mesmo as bem preparadas para o ministrar.

A bem da igualdade, ou melhor, a bem do nivelar por baixo, como o Governo não preparou as condições mínimas para que o ensino à distância se realizasse em condições de equidade em todas as escolas públicas, como se comprometera, resolveu fazer tábua rasa do artº 43 da Constituição, que no seu número um, faz esta promessa singela: “É garantida a liberdade de aprender e ensinar”.

As situações confrangedoras à esquerda e à direita do PS, parecem ter criado uma bizarra volúpia de impunidade em alguns membros do executivo.

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