Promessas evasivas

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 04 Maio 2018
Promessas evasivas
  • Rui Mendes

 

 

Foi mais uma semana em que a administração pública mostrou a sua insatisfação.

É que o tempo passa e tardam a aparecer quer melhorias, quer o que se vai eternizando em discussão nos ministérios, quer os efeitos do que tem sido executado, o que gera estas contestações.

Militares e polícias juntaram-se em protesto numa vigília em frente ao Palácio de Belém.

O pessoal de apoio da saúde fez greve criando, em hospitais e centros de saúde, as habituais anulações de consultas externas e cirurgias um pouco por todo o lado. Na saúde o descontentamento é geral. Só o ministro da saúde não o perceberá.

Os professores continuam a viver o seu drama. Com excepção dos quadros de escola, todos irão ser novamente concursados. Ainda o ano passado houve enorme desestabilização criada pelo resultado do concurso e aí vem novo concurso. Como se um concurso todos os anos fosse a solução, como se “obrigar” os docentes a serem novamente concursados viesse criar total justiça nas colocações. Está visto que vamos assistir a mais do mesmo.

Os professores que são peça chave do sistema educativo são aqueles a quem o sistema menos respeita. Inacreditável.

O que vamos assistindo deriva da forma como a administração pública é gerida.

O que este Governo tem promovido é a desigualdade. Nada tem um tratamento igual.

Promove-se as diferenças de tratamento das carreiras.

Descongelaram-se umas carreias, pese embora fazendo os efeitos remuneratórios dos descongelamentos prolongar-se no tempo, de modo a não pagar o devido pelas respectivas progressões. Noutros casos mantiveram-se carreiras congeladas.

Nuns casos o tempo de serviço nas carreiras é contado para a progressão, noutros não.

Congelam-se actualizações salarias, só permitindo gerar actualizações salarias aqueles que auferem o smn, promovendo-se assim a desvalorização relativa entre as várias carreiras e categorias.

Até nos horários de trabalho, para funções iguais, subsiste diferença na duração do período do horário de trabalho.

Para muitos organismos a formação profissional passou à história, como se a actualização de conhecimentos não fosse algo absolutamente necessário para a valorização das pessoas e algo essencial para a melhoria do funcionamento dos serviços.

Os funcionários públicos não viram melhorar as suas condições. É preciso dizê-lo.

Dito isto talvez percebamos porque os vários sectores da administração têm mostrado a sua indignação e fazem por mostrar como se sentem defraudados.

Sempre que se verifica alguma alteração é porque alguém pressionou e só desta forma o governo reage. Só que fá-lo quase sempre tarde, sabendo nós que tudo faz para que venha a promover alterações o mais perto possível do próximo período eleitoral.

É um propósito que todos já percebemos.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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