Qual a narrativa vencedora?

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 11 Março 2022
Qual a narrativa vencedora?
  • Alberto Magalhães

É difícil saber o que se passa no campo de batalha desta operação militar especial. Por exemplo, ontem à noite na TV, ouvi que a tal coluna militar russa de 60 Km de extensão, que há uns dias estava a 30 km de Kiev, teria avançado 5 km, encontrando-se agora a 40 km de Kiev.

Outro pormenor misterioso: se o Kremlin tiver razão, praticamente todo o edificado nas cidades da Ucrânia faz parte do dispositivo militar das forças nazi-fascistas deste país. Escolas, jardins-de-infância, hospitais, maternidades, não passam de disfarces para enganar os russos e a opinião pública mundial. Mas ao contrário desta, os russos não se deixam enganar e têm vindo a demolir todos estes aquartelamentos e esconderijos.

Tem sido dito, até por mim, que, em termos de narrativa, Zelensky tem dado uma abada a Putin e não admira. A qualidade da versão putinesca é simplesmente horrível, cheia de mentiras, buracos e contradições. O senhor Lavrov, ontem, por exemplo, afirmou, sem se rir, que a Rússia não atacou a Ucrânia. O cúmulo do despudor. Mas atenção, vendo bem, vendo bem, talvez Putin esteja a ganhar na narrativa mais profunda, mais essencial e decisiva. Aquela que diz que é perigoso encurralar a Rússia e que afirma que, caso o auxílio ocidental ultrapasse uma linha vermelha, os russos provavelmente recorrerão a armas nucleares e haverá uma escalada para a 3ª guerra mundial.

Achamos mesmo que a loucura de Putin o levaria a carregar no botão, iniciando o holocausto nuclear universal, a apropriadamente designada “mútua destruição assegurada”? Talvez estejamos apenas a ser ingénuos… ou cobardes.

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