Quando o Governo não tem juízo o povo é quem paga

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 31 Outubro 2022
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  • Caldeirinha Roma

 

 

Passou o tempo das vacas gordas e, neste caso, quem comeu a carne não vai comer os ossos. Portugal é um País adiado, relegado para uma situação de terceiro mundismo, em que o povo, embevecido com as migalhas que sobram dos desmandos e orgias dos nossos governantes, os eleva, como deuses, ao altar da gloria, permitindo, assim, que usem e abusem do seu desmesurado poder.

Passou o tempo em que, um Governo com sentido de estado, teria aproveitado para proceder e levar a cabo as tão necessárias reformas estruturais que permitissem dotar o País das ferramentas essenciais, capazes de nos conduzir ao ambicionado desenvolvimento sustentado, a que tanto aspiramos, mas que está cada vez mais longe de alcançarmos.

Fundamental e urgente é a reforma do sistema fiscal, pesado, burocrático, que penaliza o sucesso das empresas e quem trabalha, em vez de os permear. O inimigo número um do desenvolvimento económico, como vimos, com o evidente desentendimento, entre o Ministro da Economia e o das Finanças, relativamente ao modelo de políticas a aplicar. A reforma da segurança social, sistematicamente à beira da falência, devido à gestão ruinosa duma esquerda complexada que tem arquitectado um subdesenvolvimento controlado, assente num sistema de atribuição de subsídios (benefícios artificiais e sem qualquer base de sustentação financeira), que não tem outro objectivo do que servirem de base à criação de uma dependência eleitoralista no sentido de permitir perpectuar no tempo o reinado da incompetência. Premiamos o absentismo em vez de dinamizarmos o trabalho digno e justo. O ensino e formação profissional é outro dos pilares cuja reforma e definição dum modelo formativo, adequado às reais necessidades do mercado de trabalho, é fundamental e estratégico, não só para a criação de desenvolvimento e riqueza, mas, também para a concertação de políticas salariais baseadas na produtividade e crescimento. As questões relacionadas com a justiça cujo funcionamento, envolvido em teias e meandros, envergonha os portugueses e amedronta e afasta os potenciais investidores nacionais e estrangeiros.

Não tem fim o rol de reformas e medidas, por todos consideradas indispensáveis, mas que têm ficado na gaveta do esquecimento intencional e do politicamente mais vantajoso. Houve falta de visão política e estratégica para preparar o País para tempos adversos.

Quando o Governo não tem juízo o povo é que paga.

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