Que nova TAP iremos ter?

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 20 Outubro 2023
Que nova TAP iremos ter?
  • Rui Mendes

A TAP continua a desgastar o Governo.

Esta semana o Tribunal do Trabalho de Lisboa declarou ilegal o despedimento coletivo feito em 2021, prevendo a reintegração ou o pagamento de indemnização dos 124 trabalhadores atingidos.

Também esta semana foi noticiado que se encontra a decorrer o prazo de 30 dias para que a TAP responda à citação no processo cível instaurado pela ex-CEO, Christine Ourmieres-Widener, a qual exige uma indemnização de 5,9 milhões de euros à TAP.

Tudo isto resultado de decisões que aconteceram sob pressão e sob influência política, medidas que, à data, foram difundidas como prevendo a redução de custos mas que, com o tempo, transformam-se em custos adicionais.

Decisões que terão um custo para os contribuintes, pela simples razão que a TAP é uma empresa de capitais 100% públicos.

Portugal é um Estado de Direito e parece que à alturas em que o Executivo o parece esquecer, senão não teria tomado, ou permitido que fossem tomadas, estas decisões de forma tão ligeira.

A versão que o Governo arranjou para justificar a privatização da TAP é, no mínimo, extraordinária.

Diz o Governo que são objetivos estratégicos da venda da TAP a manutenção e crescimento do hub e o crescimento da TAP. Até parece que anteriormente tal não se pretendia.

Há alguns anos, quando estávamos numa fase de privatizações na banca, dizia-se que o interesse era manter os centros de decisão (da banca) em Portugal. Hoje a banca tem quase na totalidade os seus centros de decisão fora do país. Aliás, muitas das marcas bancárias portuguesas simplesmente desapareceram, por razões de fusões e de integrações, e pelo funcionamento do mercado. Produziram-se os ajustamentos que o grupo a que cada entidade bancária “pertence”, entendeu realizar.

Na TAP vai ser igual. Com a reprivatização a empresa será integrada num grupo e o tempo ditará o seu futuro, se manterá alguma da sua identidade, ou se pura e simplesmente se absorverá num grupo maior.

É evidente que os futuros novos donos é que irão definir o rumo da empresa. E esse rumo será orientado pelas lógicas do mercado. É assim que funciona.

Quanto ao hub (centro da distribuição de passageiros) também será o mercado a definir.

O decreto-lei poderá definir as condições da reprivatização da TAP, S.A., mas o mercado e o seu futuro dono irão ditar a forma de funcionamento da empresa.

Porque o Governo decide com base numa lógica, enquanto que uma Empresa decide com base em lógicas diferentes.

A reprivatização da TAP num sentido libertará o Governo do peso que a TAP tem na opinião pública, mas não deixa de ser uma das muitas incoerências deste Governo. Conseguiu dizer uma coisa em 2015 e o seu contrário em 2023. Falta ainda saber os custos políticos finais destas contradições.

Até para a semana

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