Quem se atreve a defender criminosos?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 15 Maio 2019
Quem se atreve a defender criminosos?
  • Alberto Magalhães

 

 

Ronald Sullivan, decano do Centro de Estudos Judiciários da Universidade de Harvard, aliás o primeiro negro a alcançar semelhante posto nessa universidade, um fervoroso apoiante dos direitos cívicos da minoria negra, que fez parte da equipa que, em 2008, assessorou a campanha de Obama, na área da justiça criminal, acaba de ser destituído, juntamente com sua mulher Stephanie Robinson, também negra e também decana da Faculdade.

Segundo um administrador de Harvard, nas últimas semanas, os estudantes estariam muito, demasiado agitados com a manutenção do casal nas suas posições, o que acabou por se tornar insustentável. Traduzindo por miúdos: Harvard cedeu miseravelmente à pressão dos estudantes politicamente correctos que exigiram a remoção não só de Sullivan, como da esposa.

Em vez de se manter firme na assunção – básica, num estado de direito – de que, mesmo os mais óbvios e repugnantes criminosos não podem ser privados de defesa, e de ensinar aos estudantes que, como futuros advogados, lhes cabe perceber, e fazer perceber, que defender um alegado criminoso, não é o mesmo que defender o seu alegado crime, a outrora prestigiada universidade, decidiu ceder ao clamor da turba ignara.

O crime de Sullivan? Acedeu a ser advogado do infame Harvey Weinstein, o famoso produtor de Hollywood, primeiro e mais odiado alvo da campanha #MeToo. O crime de sua mulher? Estar casada com ele.

Se a moda pega, quem se atreverá a defender putativos criminosos?