Quem tem medo do jornalismo?

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 25 Fevereiro 2021
Quem tem medo do jornalismo?
  • Alberto Magalhães

 

 

Para além da moda, que espero ter atingido já o seu pico, de usar e abusar dos pronomes demonstrativos, como ilustra o exemplo da deputada do PAN, que apanhei a falar “daqueles que não puderam interromper, seja aquilo que seja, a sua actividade profissional”; para além da moda recente de clamar por morte e sangue e depois invocar o inocente uso de metáforas; têm surgido agora, em catadupa, as cartas abertas, os manifestos e as petições, o que, pelo menos, mostra uma vontade de empenhamento cívico e político, que sirva ao menos para minorar a solidão imposta pelo confinamento.

A mais bizarra e, por que não dizê-lo, deplorável, saiu no jornal Público, anteontem, com o título “Carta aberta às televisões generalistas nacionais”. Como subscritores alguns proeminentes artistas e intelectuais, mais ou menos revolucionários, certamente muito apoiantes do actual governo. Alguns nomes não me espantaram, outros entristeceram-me um pouco, confesso. Desses esperava mais.

Algumas das queixas são legítimas, semelhantes às que aqui deixei ontem: “a ladainha dos números”, “as imagens, repetidas até à náusea, de agulhas a espetar-se em antebraços”… O pior é o resto.

Em resumo, os autores erguem-se contra o “tom agressivo dos jornalistas”, “os libelos acusatórios contra responsáveis do Governo e da DGS” e “o tempo de antena dado a falsos especialistas”. Terminam exigindo “uma informação que respeite princípios éticos, sobriedade e contenção. E, sobretudo, que respeite a democracia”. Mas antes, mostram ao que vêm, no seguinte parágrafo: “Criticamos a manifesta agenda política, legítima – mas nunca assumida – nos canais privados, mas, em absoluto, inaceitável na televisão pública”. A equipa de informação da RTP, responde hoje, no mesmo jornal, sob o título “Em defesa da Democracia”, e não é caso para menos.

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