Racismo, não. Referendo, sim.

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 19 Fevereiro 2020
Racismo, não. Referendo, sim.
  • José Policarpo

 

 

Esta semana tinha pensado escrever apenas sobre a possibilidade da eutanásia deixar de ser crime no regime jurídico português, a partir da próxima quinta-feira. Porém, o caso “Marega” esvaziou o tema à semelhança do que fez nalguma comunicação social, não sei se de referência, ou, não.

Na verdade, vivemos num período da história da humanidade muito “suigeneris”, no mínimo. O que hoje é importante, passados horas ou minutos, deixa-o ser. O problema é que a bitola é determinada pelos órgãos de comunicação social e estes têm um escrutínio um pouco estranho. Será que existe uma entidade reguladora de facto?!?

Não conheço o que sucedeu no estádio do Guimarães na noite de domingo último, para além do noticiado. Mas, ninguém de bom senso poderá aceitar que, haja comportamentos racistas, seja em que circunstâncias for.

Dito isto, uma coisa é certa, e, dando como certo, que os insultos ao jogador ofendido começaram durante o aquecimento, as autoridades presentes no estádio tinham que ter tomado uma decisão, pelo menos dissuasora. A Lei prevê esta situação. Penso, com efeito, que ninguém sairá bem na fotografia, a começar pelo Governo do país.

Relativamente à questão da descriminalização da eutanásia, embora tenha dúvidas quanto à aplicação do regime sem a possibilidade do cometimento de abusos. Sou favorável que, a vontade individual, possa ser respeitada e atendida, se for atual, livre e consciente, dentro de balizas muito bem definidas.

Em todo o caso, acompanho o argumento de que “esta” assembleia da república não está, na sua maioria, mandatada, politicamente, para legislar sobre a matéria da eutanásia por não ter levado a sufrágio, nas últimas eleições, a questão. Por isso, defendo a realização de um referendo acompanhado de uma discussão objetiva e clarificadora.

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