Rainha de Inglaterra

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 06 Junho 2022
Rainha de Inglaterra
  • Alberto Magalhães

 

Em Fevereiro de 1957, com 4 anos e meio, fui à Baixa, pela mão do meu avô Alberto, ver a jovem rainha de Inglaterra. Havia uma multidão de gente a acenar com bandeirinhas inglesas e, às cavalitas do meu avô, consegui ver Isabel II, uma rainha de verdade, numa verdadeira carruagem puxada a cavalos, ao lado de um senhor que, soube mais tarde, era o Presidente da República de Portugal, marechal Craveiro Lopes. Ninguém ali estava para ver o Presidente, todos queriam ver a rainha.

Passaram 65 anos e ontem vi, ainda, a rainha de Inglaterra, na varanda do seu palácio, a acenar para uma multidão compacta de convictos e orgulhosos súbditos. Súbditos. Passados 233 anos da Revolução Francesa, a popularidade da monarca inglesa continua em alta, dentro e fora do Reino Unido, a julgar pelos recursos mediáticos empenhados na cobertura do seu jubileu de platina. Durante quatro dias competiu mesmo com a tragédia ucraniana.

Reina há 70 anos, sem tomar publicamente partido, sem dar entrevistas, sem falar com os jornalistas à porta do palácio.

Pensando bem, o que são 233 anos de propaganda republicana, quando comparados com os milhares e milhares de anos de monarquia? Que criança se empolgará com uma história que comece assim: – Em tempos que já lá vão, um professor foi eleito Presidente da República. Trabalhava num palácio, mas ia dormir a casa. Todos os dias falava na televisão sobre os mais diversos assuntos, desde a transmissibilidade dos vírus ao desempenho da selecção nacional de futebol. Era popular, mas, cada vez mais, cada vez menos o levavam a sério…

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