Recordes indesejados

Sexta-feira, 03 Junho 2022
Recordes indesejados

 

 

Ainda recentemente abordamos uma matéria que é preocupante, o constante aumento do emprego no setor das administrações públicas, desde logo por existir uma relação com o aumento da despesa pública. O aumento de custos com pessoal faz crescer um tipo de despesa que tem um caráter permanente, que é difícil posteriormente de reduzir.

Ainda assim, o executivo tem apostado em fazer crescer, de uma forma constante, o emprego público. Tem sido uma aposta destes três últimos governos.

Esta semana a dívida pública portuguesa atingiu mais um recorde. Segundo nota do Banco de Portugal (BdP) em abril a dívida pública aumentou 3 mil milhões de euros, apresentando assim um novo máximo de 279 mil milhões.

Pese embora o rácio da dívida apresente uma leitura diferente, devido ao maior crescimento do PIB, o que permite que ainda que seja contraída mais dívida, a sua percentagem em relação ao PIB possa não crescer.

Contudo, a dívida nominal é a que é, e será esse o montante que, seja em que situação for, o país terá que liquidar, ainda que a vá sucessivamente prorrogando para que sejam as futuras gerações a responder por uma dívida que não contraíram. A isto se chama a gestão da dívida.

Quem nos governa devia ser suficientemente responsável para não deixar para as futuras gerações um elevado custo que terão que suportar.

Não é justo que umas gerações beneficiem, e outra, ou outras, tenham que suportar os seus custos.

Cada vez mais dependemos de apoios europeus e de endividamento, e cada vez mais seguimos esse caminho. É assim que o país se está a modelar.

Porque agimos a pensar no presente e não o fazemos a pensar no futuro.

Por isso, vamos sucessivamente atingindo recordes indesejados, até ao dia em que já não seja possível acumular mais dívida ou recrutar mais para o setor público.

Quando for o caso todos dirão que sempre tiveram essas preocupações, mas que razões supervenientes, seja a pandemia, seja outra qualquer razão, obrigaram a trilhar esse caminho.

Porque para tudo existe justificação, ainda que ela pouco justifique.

 

Até para a semana

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