Reposta a legalidade

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 09 Março 2023
Reposta a legalidade
  • Nuno do Ó

 

 

A 26 de setembro de 2021 tivemos as últimas eleições autárquicas, onde elegemos os nossos representantes nos governos locais, momento que sempre nos deve orgulhar, como uma das mais importantes conquistas da democracia e do 25 de abril e que já agora, devemos honrar, defendendo-a em todo e em qualquer caso, porque, como sabemos, nada é garantido para sempre. A democracia e a liberdade, são como as flores de um jardim singular da humanidade, que não podem, nunca, deixar de ser regadas, para que nunca murchem, para que enfim, deixem semente nalgum canto desse jardim.

A democracia, a liberdade, a justiça, a igualdade, são valores maiores da humanidade que cada vez mais temos que preservar e que vão escasseando, levados pela enxurrada do liberalismo e do poder do vil metal. É preciso saber isso para saber que nunca poderemos desistir, porque no lado escuro do homem, existem, demasiadas vezes, a vontade e a luxúria de prevalecer individualmente, acima de todos os outros, com soberba, palavra que o Alentejo tão bem conheceu e conhece. Estes valores não se defendem só com palavras, mas nos atos do dia-a-dia, na defesa dos que não se podem ou não se conseguem defender, lutando pelos outros, mesmo que para nós isso não seja necessário.

Porque infelizmente e como sabemos, nem todos pensam assim ou agem como tal. Não me refiro àqueles que até já perderam a vergonha de que tanto gostam de falar, mas particularmente de alguns que até se apelidam de democratas e que assim se tornam ainda mais falsos e perigosos.

A democracia vê-se nas atitudes das pessoas e para a sua defesa não basta bater no peito.

Nas últimas eleições autárquicas, ao que julgo, numa ação nunca vista, ma vá-se lá saber o que por esse país fora vão fazendo muitos destes democratas, as assembleias de freguesia eleitas no Bacelo e Sra. da Saúde e também, na Malagueira e Horta das Figueiras, assistiram incrédulos e no caso refiro-me somente aos democratas que lá estavam, naturalmente, à eleição das respetivas juntas de freguesia, onde, como que por milagre ou outras artes mágicas, os Presidentes de Junta eleitos, não obstante terem vencido as eleições com maioria, conseguiram ainda a singular proeza de escolher 5 eleitos da sua cor para a junta de freguesia, mesmo tendo apenas 4 eleitos na respetiva assembleia, então formada, perante a indignação e os avisos da maioria dos presentes, em como tal ato não poderia nunca ser considerado legal ou aceitável, em face, quanto mais não fosse, dos valores da democracia, claro está. Acresça-se à indignidade destes atos, a simultaneidade destas ações nas duas freguesias, o que denotou um sórdido planeamento prévio e a sua concretização concertada pelos representantes destes partidos… socialistas, com a conivência de sociais-democratas, apenas de nome, como se vê, cozinharam esta afronta à democracia, à frente de todos e sem qualquer pudor, ao arrepio da lei e até do que o senso comum, democrático, faria adivinhar.

Os tribunais, entretanto, pronunciaram-se, por via das várias ações judiciais partidárias e civis instauradas contra aquele ato eleitoral, que, fazendo jus ao valor que damos e continuaremos a dar à separação de poderes e assim aos valores da democracia, consideraram ilegais as formações das juntas de freguesia então realizadas e até, num dos casos, dando como nulos os atos praticados desde as eleições até agora, por estes executivos, ilegalmente constituídos.

Não me interessa particularmente a tecnicalidade deste assunto, mas questionar como é que foi possível, que partidos com responsabilidades no nosso quadro legislativo e democrático, tenham admitido, que eleitos seus, pusessem em causa o ideal democrático, que tantas vezes apregoaram e que se propuseram defender mesmo na sua própria fundação, sem que uma pequena dúvida que fosse se colocasse em seus espíritos, certamente até, para o espanto de muitos correligionários destes, que antes, afirmaram a defesa e a fundação da mesma democracia.
Reposta a legalidade, resta-nos não esquecer, não deixar esquecer e procurar o lado certo da barricada, para que também não nos levem a democracia, por que tantos deram a própria vida. Por isso também cá vou estando, semana após semana. Até à próxima…

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