Rescaldo eleitoral

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 29 Janeiro 2021
Rescaldo eleitoral
  • Rui Mendes

 

 

Esta é a semana do rescaldo dos resultados eleitorais das presidenciais.

Em parte, os resultados foram os esperados.

Marcelo Rebelo de Sousa venceu sem oposição. Venceu com o voto alargado dos portugueses. As sondagens já nos diziam que MRS iria buscar votos a todos os partidos. Foi o que aconteceu. Venceu com 60,7% dos votos.

A segunda candidata, Ana Gomes, fica a anos luz de Marcelo Rebelo de Sousa, apenas obteve 12,97% dos votos. Uma diferença bastante significativa.

O terceiro, André Ventura, obtém um resultado próximo de Ana Gomes, 11,9%, conseguindo chegar muito próximo dos 500 000 votos. Ocupou um espaço de protesto que tradicionalmente cabia à esquerda, e que os partidos de esquerda, progressivamente, vêm perdendo como resultado da validação dos atos da governação socialista.

As surpresas destas eleições surgem no espaço político dos pequenos partidos.

PCP e BE, sofrem pesadas derrotas, nenhum dos candidatos apoiados, João Ferreira pelo PCP, ou Marisa Matias pelo BE, atinge sequer o patamar dos 5%. A candidata do BE, Marisa Matias, fica-se por um resultado próximo dos 4%.

Os dois candidatos menos votados poderão considerar-se como triunfantes.

Tiago Mayan, apoiado pela Iniciativa Liberal, consegue atingir 3,2% e fica apenas a uma diferença de 30 mil votos da candidata do BE.

Vitorino Silva, consegue 2,9% e, mais uma vez, o voto de um eleitorado que quer votar, mas que não tem candidato, descarregando o seu voto neste candidato.

Mas não nos esqueçamos que nestas eleições votaram apenas 39,5% dos portugueses, os restantes preferiram abster-se.

Este é um sinal importante que é manifestado pelo povo português.

Não faltam razões para o distanciamento das pessoas da política.

Afinal estamos num país em que a corrupção não baixa.

Num país em que a pobreza persiste em manter-se, e em que a perda de rendimentos de muitos faz engrossar o grupo dos que necessitam de apoios sociais de base.

Num país em que a pandemia está descontrolada. Em que estamos colocados mundialmente no lugar que nenhum país quer ocupar, o primeiro. Somos o pior em resultado da péssima gestão política que tem sido adotada para combater a pandemia. Sempre atrasados nas decisões, sempre correndo atrás do prejuízo.

Num país em que muitos têm sido vacinados contra o vírus SAR-Cov-2 sem estarem integrados em grupos prioritários ou de risco, alguns sendo titulares de cargos políticos, retirando assim a oportunidade de pessoas que integram grupos prioritários, ou idosos, de justamente poderem ser primeiramente vacinados, como é legítimo porque são eles os mais necessitados da vacina. Os que prevaricaram   mostraram o seu egoísmo e oportunismo, lamentavelmente sem que nada, rigorosamente nada, aconteça. Em Espanha, quem utilizou a sua situação de privilégio, por ocupar cargos políticos, para ser vacinado contra o coronavírus, foi obrigado a demitir-se. Aqui em Portugal nada se passa.

Já sabíamos que as responsabilidades políticas em Portugal não são assumidas, vimos isso muito recentemente com os casos que envolveram a ministra da Justiça e o ministro da Administração Interna.

Na Educação existe um desnorte total. Ninguém sabe verdadeiramente como o ensino acontecerá no terceiro período. Por teimosia mantiveram-se as escolas abertas. Agora fecha tudo e vamos ver quando abrem.

É triste ver a falta de orientação do Governo. Mas no fim somos todos nós, em confinamento ou não, que pagamos pelos erros dos que nos governam.

Por isso não estranhamos a abstenção, como não estranhamos também os resultados das eleições, evidenciam o sentir do povo.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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