Resolveram matar uma vacina?

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 18 Março 2021
Resolveram matar uma vacina?
  • Alberto Magalhães

 

 

Espera-se para hoje uma reacção da Agência Europeia do Medicamento, à suspensão da vacina nascida na Universidade de Oxford e produzida pela AstraZeneca que, num efeito dominó, alastrou por quase toda a Europa. Duas justificações foram sendo apresentadas, em conjunto ou em alternativa, pelos governos que tomaram a decisão: uma, a necessidade de travar a degradação da confiança das populações nessa vacina; outra, usada pela nossa DGS, com o apoio do Infarmed, a necessidade de proceder de acordo com o ‘princípio da precaução’.

Ambas as desculpas são vergonhosas e dizem bem do estado de rendição populista às paranóias alimentadas nas redes sociais e, desgraça maior, amplificadas pelos media. Em primeiro lugar, suspender uma vacina, alimentando o pânico que se diz querer travar, seria de mentecaptos. Em segundo lugar, se a Dr.ª Graça Freitas e o Infarmed usassem sempre o mesmo critério de precaução que dizem ter usado neste caso, teriam de suspender grande parte da farmacopeia ocidental.

Só espero que a directora-geral da Saúde tenha assistido, ontem, aos programas de rádio e TV em que os ouvintes e espectadores se pronunciaram sobre a vacina em causa. Se o fez, pôde aferir do alarme social que ajudou a construir quando, insensatamente, falou de dois casos de tromboembolismo em Portugal, deixando no ar a hipótese de ligação à vacina, para depois recomendar calma aos já vacinados, pedindo-lhes para estarem atentos a más disposições, dores de cabeça, nódoas negras… A Dr.ª Graça fará ideia da pandemia de sintomas alarmantes que terá provocado ou provocará na população portuguesa?

Então, pergunto eu, o Governo não nomeou uma comissão de especialistas comportamentais, coordenados pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, para gerir a comunicação sobre a Covid-19? Pois, a Dr.ª Graça, resolveu dar-lhes trabalho a sério.

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