Risco de pobreza

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 19 Fevereiro 2021
Risco de pobreza
  • Rui Mendes

 

 

Em 2019, em período pré-covid, 21,6% da população portuguesa estava em risco de pobreza, percentagem extremamente elevada, que se situava acima da média da União Europeia.

Portugal ocupava a 18ª posição, encontrando-se numa situação bem desfavorável.

Este indicador é um dos que melhor indicia o nível de desenvolvimento económico e social dos países.

Se observarmos o quadro dos países europeus com maiores taxas de pessoas em risco de pobreza verificamos que os países que se encontram atrás de Portugal são países do Sul ou do leste da Europa (Bulgária, Roménia, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia e Espanha). Em situação oposta, apresentando menores taxas de pessoas em risco de pobreza, encontram-se os países do centro e norte da Europa (República Checa, Eslovénia, Finlândia, Dinamarca, Eslováquia, Países Baixos e Áustria). É um indicador que mostra a Europa pobre e a Europa rica.

Em 2020, como consequência da conjuntura, certamente que o risco de pobreza e de exclusão social aumentou em Portugal .

O contexto atual de redução de emprego e de colocação de trabalhadores em layoff, com perda de remuneração, tem como consequência o aumento do risco de pobreza.

Para mais, o recurso ao layoff resulta de uma situação de crise e, haverá casos, em que o layoff é um passo para o desemprego.

O país vive tempos difíceis, pelo que a ajuda alimentar que é prestada por um vastíssimo conjunto de organizações sociais, que diariamente trabalham para socorrer aqueles que estão sem proteção, são merecedores de todo o nosso respeito.

Tem sido o setor social que tem conseguido dar respostas a estes problemas.

Ao poder político cabe o difícil papel de construir um país mais justo, com menos desigualdades. Um país com menos pobreza e mais inclusivo.

O combate à pobreza deveria estar na primeira linha das preocupações governativas.

Contudo, já vimos os nossos políticos mais focados em combater estes dramas. A pandemia tem sido o centro das preocupações e de todas as atenções. Mas os problemas do país não se resumem à pandemia, muitos problemas, como o da pobreza e da exclusão social, agravaram-se e irão perdurar muito para além da pandemia, pelo que urge criar políticas que sejam eficazes a combater estes dramas sociais.

Não podemos dizer que somos um país da linha da frente da Europa, quando a realidade mostra um outro país.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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