Roger Waters, o conformista

Nota à la Minuta
Terça-feira, 27 Setembro 2022
Roger Waters, o conformista
  • Alberto Magalhães

 

 

O conformismo é uma atitude que ameaça ficar na moda. Antigamente, o conformista baixava a cabeça semi-envergonhado e, mesmo quando desculpado, não era especialmente bem visto. “Tenho mulher e filhos, não me posso dar ao luxo de ser rebelde”, era uma desculpa, e seguir o rebanho não era motivo de grande orgulho, antes simples necessidade.

Agora, certa gente faz gosto de defender para a Ucrânia o máximo do conformismo: render-se ao invasor russo, evitando mais mortes e, sobretudo, uma guerra nuclear. Veja-se (o ex-Pink Floyd) Roger Waters. Perguntado sobre o porquê de chamar “criminoso de guerra” ao presidente norte-americano, respondeu que Biden estava a colocar lenha na fogueira da Ucrânia e que “isso é um enorme crime”. Os EUA deviam antes encorajar Zelensky a negociar. Ora, pergunto eu, não seria mais lógico chamar “criminoso de guerra” a Vladimir Putin? Não será demasiado brutal recomendar a um povo inteiro a submissão a um exército invasor?

Imaginemos a mesma postura, por exemplo, aplicada aos protestos actuais no Irão. Pelo menos 41 mortos e mil detidos, por causa da morte de uma rapariga que trazia demasiado cabelo à mostra. Não teria sido melhor para ela tapar-se convenientemente? Que querem agora os manifestantes? Mais mortes? Não. É o regime corrupto e retrógrado que prefere matá-los a escutá-los.

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