O Portugal de 2016

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 23 Dezembro 2016
O Portugal de 2016
  • Rui Mendes

 

Terminamos o ano quase como o começámos.
O ano de 2016 afinal não foi assim tão diferente do ano de 2015.
Os problemas de 2015 foram os problemas de 2016.
Divida pública alta, a sua redução vai ficando apenas por intenção;
Défice, apesar de ter apresentado uma pequena redução, de cerca de 0,5%, cumpre-se os mínimos;
Carga fiscal elevada, vamos chamar-lhe brutal para continuar a utilizar o termo que a definiu;
Baixo crescimento económico, pelo que nos vamos apercebendo não existem perspectivas, nos próximos anos, de taxas de crescimento acima de 2% que promovam a consolidação de um crescimento económico firme;
Quebra do investimento, inverter esta tendência é fundamental para fazer crescer a economia;
Elevada taxa desemprego, apesar de apresentar redução relativamente a 2015;
Sector bancário que mantém os seus problemas, recaindo sobre os contribuintes os elevados encargos das decisões que foram sendo tomadas. 2016 foi um ano fértil em episódios envolvendo o sector bancário;
Elevados níveis de pobreza na população, um drama social que persiste em manter-se e para o qual importa arranjar soluções;
e mais poderíamos aqui referir.
Contudo, o ano de 2016 teve condições internas e externas bastante favoráveis. Talvez até únicas em relação aos últimos anos.
Uma conjuntura interna altamente favorável à governação, pelo apoio e estabilidade conseguido à esquerda, com uma praticamente nula contestação social, e pelo significativo e constante amparo do presidente da república.
Uma conjuntura externa benéfica porque os nossos principais parceiros comerciais europeus possuem economias em crescimento e a Espanha cresce acima de 3%, porque o BCE durante todo a ano de 2016 manteve a sua política de apoio à economia europeia através da compra de divida publica, em especial aos países que integram a zona euro e, dentro destes, aqueles que necessitam vender divida publica para se financiarem com juros baixos, e porque o petróleo manteve-se todo o ano a baixo custo.
Passámos do parece que tudo estava mal, para o parece que tudo está bem. Sinais do tempo.
Até para a semana
Voto de um Santo Natal para todos
Rui Mendes

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