Sabe-se lá donde vem o bicho

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 20 Novembro 2020
Sabe-se lá donde vem o bicho
  • Alberto Magalhães

 

 

Voltando ao tema da origem dos contágios, nos dois últimos dias tivemos novidades de espantar. Primeiro, foi Marta Temido a informar que, no Norte do país se desconhecia a origem de 75% das infecções. Depois a DGS a difundir que se desconhecem as fontes de 81,4% do total de contágios. Há que dizer que, neste momento, é compreensível que se desconheça onde se geraram mais de 80% das infecções conhecidas. O crescimento desmesurado da pandemia causou o mesmo efeito em países mais ricos e bem organizados que Portugal. Por exemplo, na própria Alemanha, com muito mais rastreadores por milhão de habitantes, o número de infecções de origem desconhecida ronda os 75%. Na Áustria, sobe para 77% e na França e na Itália para 80% [as informações são do Público de ontem].

Mas atenção, quando o nosso primeiro-ministro nos mostrou o gráfico apontando para 68% de infecções em família e uns envergonhados 5% de origem desconhecida – depois incompetente ou fraudulentamente transformada em “com outras origens” – já o ministério da Saúde espanhol, na última semana de Outubro, tinha confessado desconhecer a origem de 93% dos contágios. Ou seja, na altura em que António Costa nos passou a ideia de que mais de dois terços dos contágios se davam em casa, já estaria, muito provavelmente, a basear-se em dados completamente desactualizados.

Além disso, é preciso ter em conta que é mais fácil perceber que se foi infectado por um familiar, que transportou o vírus para casa, do que identificar fontes externas, desconhecidas ou, muitas vezes, assintomáticas. Isso seria muito mais fácil com a App StayAwayCovid que o governo desqualificou, quando quis torná-la obrigatória. A verdade e a competência, a prazo, saem mais barato.

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