Saboroso, mas só para alguns!

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 20 Dezembro 2017
Saboroso, mas só para alguns!
  • José Policarpo

 

 

Não obstante o sucesso da economia portuguesa que permitiu sairmos do “lixo” na classificação das agências de notação financeira, o ano de 2017 foi marcado, muito infelizmente, por demasiados acontecimentos, se não fossem tão dramáticos remeter-nos-iam para a comédia menos qualificada. Tipo opera bufa. Conhecem?

Ora, o primeiro ministro de Portugal ao afirmar que” o ano em curso foi saboroso”, demonstra uma de duas coisas: ou é muito insensível, ou, então, estaremos na presença de uma pessoa que vive noutra realidade. Não acredito que alguém possa ser insensível perante acontecimentos como os incêndios de Pedrogão Grande e do dia 15 de outubro ocorridos no centro do país. Por isso, estou mais inclinado que o primeiro-ministro viva numa realidade subtraída dos acontecimentos dramáticos.

Porém, este excesso de otimismo já foi perfilhado no passado pelo seu homólogo e camarada José Sócrates. Com isto não estou a sugerir que António Costa atue assim porque quer alcançar resultados ilícitos ou ilegítimos, o que poderá estar aqui em causa é que a realidade que António Costa acredita conduza o país para um descalabro que não seria só financeiro, mas e sobretudo social e económico.

Se o país e as suas instituições não se reformarem para atenderem eficazmente a catástrofes similares às que atrás referi, teremos certamente acontecimentos e resultados iguais àqueles que tivemos. Por isso, há uma pergunta que importa fazer: Queremos que ocorram mais dezenas de mortes e que desapareça o património que se esfumou, quer privado, quer público?

Na verdade, se a resposta for não como penso que será, só há um caminho a fazer. O caminho que galvanize o país a trabalhar no sentido de serem criadas as condições para o investimento e com isso se faça a redistribuição da riqueza de forma justa e equilibrada. A litoralização do país criou desequilíbrios com resultados como aqueles que vivemos no passado recente e não podem acontecer mais.

Por conseguinte, o contrato social que decorre da Constituição de 1976 deverá ser cumprido todos os dias. Quando um país tem as assimetrias profundas que tem, trazem necessariamente problemas profundos. Conclui-se, por isso, que alguém anda a falhar e não será pouco!

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