Sai Jerónimo, entra Raimundo

Nota à la Minuta
Terça-feira, 08 Novembro 2022
Sai Jerónimo, entra Raimundo
  • Alberto Magalhães

Jerónimo de Sousa, afectuoso e estimado líder do PCP, decidiu sair do cargo pelo seu pé, alegando o peso da idade e problemas de saúde. Deputado desde a Assembleia Constituinte dos idos anos 70, ficará historicamente ligado a três decisões bastante prejudiciais para os comunistas. Primeira, a iniciativa de desafiar o PS para governar em minoria, apoiado numa Geringonça que reduziu drasticamente a capacidade dos comunistas para arregimentar os descontentes. Segunda, o chumbo do Orçamento, que levou à queda do Governo minoritário, ao fim da Geringonça e às eleições antecipadas onde o PS ganhou uma maioria absoluta e o PCP se viu reduzido a seis deputados. Terceira, a recusa absurda em conceder que a Rússia invadiu ilegalmente a Ucrânia e a persistente defesa das justificações russas para a medonha agressão.

O anúncio do escolhido (não se sabe bem por quem) para suceder a Jerónimo, surpreendeu até membros do próprio Comité Central, onde o seu nome será sufragado de braço no ar, seguramente por uma maioria absolutamente arrasadora. Chama-se Paulo Raimundo e é de origem operária, como convém, tendo passado pela carpintaria, sido padeiro e animador cultural. Mas a sua maior vocação foi ser funcionário do partido, onde se mantém desde 2004.

Um perfeito desconhecido para o comum dos portugueses, Paulo Raimundo será o rosto de um partido em decadência, condenado à obsolescência e à irrelevância. Um partido que, felizmente, nunca chegará a governar-nos.

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