Salvar a face de Putin?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 08 Junho 2022
Salvar a face de Putin?
  • Alberto Magalhães

 

 

A Estónia, a Letónia e a Lituânia, os chamados Estados Bálticos, foram anexados pela União Soviética em 1940, em resultado do pacto entre Hitler e Estaline. Reconquistaram a sua independência no início dos anos 90, em consequência da perestroika. Devido aos mais de 50 anos de ocupação, 25% da população da Estónia e da Lituânia é de origem russa. Colonos e filhos de colonos russos.

Quem se pode admirar com a indignação da primeira-ministra da Estónia, perante os persistentes telefonemas do presidente Emmanuel Macron, sobretudo, mas também do chanceler Olaf Scholz, para dialogar com Vladimir Putin, insistindo, ainda por cima, na tecla de que o Ocidente não deve humilhar a Rússia, não deve encurralar Putin? Diz ela: “Eu não vejo qual é o ponto de falar com ele, sobretudo se queremos passar a mensagem de que ele está isolado e a mensagem de que não vai escapar impune e será responsabilizado por todos os crimes cometidos.”

Em sintonia com Macron e com todos os que invocam a paz de Versalhes, onde os alemães foram humilhados, gerando a prazo o nazismo, Henry Kissinger veio também a terreiro sugerir que os ucranianos, correspondendo “com sabedoria ao heroísmo que demonstraram”, cedam algum território à Rússia e aceitem o papel de Estado neutral.

Curiosamente, os que conhecem melhor os russos, por já terem estado debaixo da pata do seu império, são os que mais rejeitam esta teoria do apaziguamento da Rússia. A primeira-ministra da Estónia defende com veemência que, pelo contrário, Putin precisa de ser posto no seu lugar e as suas tropas ajudadas a voltar para a Rússia.

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