Salvemos da ministra o SNS

Nota à la Minutaa
Quinta-feira, 25 Novembro 2021
Salvemos da ministra o SNS
  • Alberto Magalhães

Já perdi a conta aos milhares e milhares de novos profissionais de saúde que o Governo diz ter contratado desde 2015. Numa Nota de finais de 2019, inclusivamente, pus a hipótese de existir um Sumidouro algures, por onde desapareceriam esses (e outros) profissionais, já que oposições, ordens e sindicatos, comunicação social e utentes, se queixavam (e continuam a queixar-se, aliás, cada vez mais) de atrasos, listas de espera de meses e anos, mais de um milhão de cidadãos sem médico de família, carência de enfermeiros, médicos, psicólogos e outros técnicos de saúde.

Claro que o mesmo se passa em muitos outros sectores do Estado, por exemplo, nas escolas ou nas polícias, mas hoje concentro-me no SNS, onde a situação tem vindo a agravar-se e promete tornar-se calamitosa. Por causa da pandemia? Sim, mas não só, nem principalmente.

Ontem, no parlamento, Marta Temido, deu, por sua conta, mais uma machadada no SNS, acusando os médicos, que dele vão saindo ao ritmo de dois por dia, de não terem a necessária “resiliência” que, diz ela, na contratação de profissionais de saúde, deve ser um factor tão importante como a “competência técnica”.

Ou seja, com mais quatro anos de Marta Temido no ministério, o risco do SNS entrar num estado comatoso seria tremendo. A senhora ainda se lembraria de acusar os privados de dumping, de pagar generosamente aos médicos para acabar com o SNS, e talvez chegasse a propor a nacionalização dos prevaricadores capitalistas, antipatriotas e reaccionários. Bem dizia o seu antecessor Adalberto Campos Fernandes, no início deste mês, que via “dentro do PS um fascínio por fazer do partido um ‘Bloco de Esquerda 2.0’.” Foi numa entrevista ao Público e à Renascença, no dia 1, que vale a pena ler na íntegra.

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