Salvemos os insectos

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 30 Janeiro 2020
Salvemos os insectos
  • Alberto Magalhães

 

 

Já no verão de 2019 eu fora alertado, por uma entrevista do professor José Alberto Quartau, ilustre entomólogo da Faculdade de Ciências de Lisboa, para a preocupante situação mundial dos insectos. O caso, segundo parece, é para levar bem a sério. Os insectos – e, já agora, os aracnídeos – são cada vez menos. À primeira vista, isto seria uma boa notícia: menos picadas de mosquito, menos moscas nas sardinhas, menos transmissão da malária e outras doenças ruins.

Depois, começamos a pensar nas abelhas e nas borboletas, fundamentais na polinização. Começamos a perceber que rãs, osgas, salamandras, pássaros e morcegos, além de mais uma infinidade de bichos se alimentam fundamentalmente de insectos e, muitos deles são comidos por outros animais e assim sucessivamente. Sendo muitos deles verdadeiramente incómodos para os seres humanos, não restam dúvidas da sua importância ecológica.

Pois o jornal Público trás hoje uma notícia, com o título “Em Alqueva já não há mosquitos esmagados contra os pára-brisas”, em que se apontam algumas das causas para o declínio dos insectos. Não, não são as alterações climáticas e ainda bem, que essas, bem pode o ministro do Ambiente julgar-se também da Acção Climática, que dificilmente mandará nelas. São coisas mais terrenas, mais ao alcance de mão ministerial, como as extensas culturas intensivas, tratadas com doses industriais de pesticidas e, concomitantemente, a ausência de árvores e arbustos variados, capazes de proteger insectos, aranhas e muitos outros bichos. Nem Alentejo ao abandono, nem Alentejo inquinado, esgotado e despovoado. Salvemos os insectos, já.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com