Se as mulheres param o Mundo pára

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 11 Março 2019
Se as mulheres param o Mundo pára
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

No dia 8 de Março as mulheres saíram à rua.

Foram muitos milhões no mundo inteiro as mulheres que assinalaram este dia com uma paragem ao trabalho, às múltiplas tarefas que desempenham nas fábricas, nos escritórios, em casa, como cuidadoras, na greve feminista internacional, numa luta pelo reconhecimento dos seus direitos e pela liberdade.

Portugal aderiu pela 1ª vez à greve feminista internacional e alguns, poucos ainda, sindicatos convocaram greve para o dia 8 de Março, partilhando desta urgência de lutar contra a discriminação das mulheres.

Mas esta foi principalmente uma greve simbólica, que não se pretendia que ficasse confinada ao mundo laboral. Foi uma greve que apelou a que as mulheres também fizessem paragens nas suas tarefas em casa, na escola. Uma greve em que a palavra de ordem “se as mulheres param o mundo pára” fez todo o sentido.

E foi sobretudo a apropriação da rua pelas mulheres que este ano marcou o dia.

Em várias cidades do país tiveram lugar manifestações que juntaram dezenas de milhares de mulheres, em que se viram sobretudo muitas mulheres jovens, mulheres que dizem “Basta!” a um sistema social sexista e discriminatório, que não reconhece ainda a igualdade e retira direitos.

Juntas, as mulheres exigem que sejam tomadas medidas efectivas para pôr fim à violência de género de que são alvo e que tantas vezes acaba no assassinato. Este ano os femicidios são já um flagelo e a Justiça mostra-se incapaz de actuar.

Por isso exigimos uma Justiça não machista e misógina, e magistrados que reconheçam a gravidade dos crimes que são cometidos contra as mulheres e deixem de desculpabilizar os agressores e tornar as vítimas em culpadas.

No trabalho as mulheres continuam a ser discriminadas. São as mais precárias e a desigualdade salarial é gritante, ganham menos 225 euros por mês que os homens e continuam a ver-lhes vedados, de facto, os lugares de chefia. É preciso que a igualdade entre homens e mulheres no trabalho seja uma realidade.

São principalmente as mulheres que cuidam. Cuidam das crianças, cuidam dos doentes, dos velhos, cuidam das pessoas com deficiência. As mulheres exigem a corresponsabilização dos homens e respostas públicas como creches, unidades de cuidados continuados e residências assistidas.

As mulheres trabalham em casa mais quase 2 horas por dia que os homens. É também pela igualdade nos tempos de descanso e lazer que as mulheres se manifestaram.

Em pleno século XXI as mulheres não andam ainda seguras na rua a qualquer hora do dia ou da noite. É também pelo direito ao espaço público, que ainda lhes está vedado, que as mulheres lutam.

E é também ainda pelo direito ao corpo e à livre expressão da sua sexualidade, que as mulheres ainda têm que lutar.

Foi por tudo isto, mas não só, que tantas mulheres saíram à rua no dia 8. Foi também por uma habitação condigna para todas e todos, pelo direito a uma educação pública gratuita em todos os níveis, foi pelo bem estar das pessoas e pela sustentabilidade do planeta.

Sabemos que a mudança não é fácil e que há muito por fazer, mas este 8 de Março marcou um ponto de viragem e uma coisa é certa: nada será como antes.

Até para a semana!