Se contarem só os votos legais

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 06 Novembro 2020
Se contarem só os votos legais
  • Alberto Magalhães

 

 

Trump, creio eu, estava convencido de que ganharia as eleições. Mas, pelo sim pelo não, não fossem as sondagens acertarem desta vez, preparou com antecedência um plano B: afirmou, durante meses, que a sua presidência era um sucesso tão grande que só perderia a eleição se os democratas viciassem o processo e, em consequência, recusou confirmar que respeitaria o resultado das eleições no caso de derrota.

Ora, a grande superioridade da democracia liberal sobre outros sistemas políticos é, precisamente, a possibilidade de os cidadãos poderem trocar de governo periodicamente, de forma pacífica, de acordo com regras bem estabelecidas, e sem necessidade de sangrentos golpes de Estado ou revoluções.

Ser o próprio Presidente dos EUA, a mais alta figura do Estado, a pôr em causa a legitimidade do processo eleitoral do país que governa é, só por si, um acto absurdo e de um egoísmo e uma irresponsabilidade nunca vista por aquelas bandas desde a Declaração da Independência. Só faltou que ele tentasse, à maneira do czar Putin, impedir a candidatura de Biden, por ser um elemento subversivo.

O que é certo é que Trump teve mesmo de pôr em acção o plano B, face à crescente possibilidade da vitória de Joe Biden. Aliás, ontem à noite, a declaração de Trump de que “se contarem só os votos legais, eu ganho”, pondo mais uma vez em causa a democracia do país que governa, acaba por ser uma admissão de derrota pois, se contarem também os votos que ele considera ilegais, mas que cumprem as regras e são igualmente válidos à face da lei, não é ele que ganha, mas Biden.

Entretanto, em Portugal, vai ser hoje aprovado outro estado de emergência. Dentro das regras.

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