Se não fosse triste, era de rir

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 17 Junho 2022
Se não fosse triste, era de rir
  • Alberto Magalhães

Os presidentes da França e da Roménia, o chanceler alemão e o primeiro-ministro italiano, estiveram ontem em Kiev, reunidos com Zelensky, comprometendo-se no apoio à candidatura da Ucrânia a membro da UE. Talvez mais importante que isso, Macron, Scholz e Draghi, mudaram a agulha, mostrando menos pressa em chegar a uma paz feita à custa de cedências territoriais ucranianas e declarando com clareza que os termos da paz não serão impostos à Ucrânia. Zelensky aproveitou a maré para insinuar que onde as maiores potências da UE devem ter pressa é no fornecimento de material militar capaz de impor aos russos o que eles merecem.

Internamente, Fernando Medina, o nosso ministro das Finanças, resolveu dar uma ajuda à sua colega Marta Temido, a bem-amada ministra da Saúde, desviando as atenções com uma pirueta cómica. A propósito da crise no SNS, a tal crise estrutural admitida por António Costa, disse Medina que “o que está hoje colocado não é um problema financeiro” é antes um problema que tem a ver com “escassez de médicos”, com “carência de efectivos”. Se fosse o dinheiro o problema, afirmou o engraçado ministro, a situação resolvia-se facilmente. O problema é que os médicos, constata Medina, insistem em envelhecer e, os mais novos, numa percentagem importante, preferem trabalhar no sector privado.

As razões desta preferência são, para Medina, certamente misteriosas. Mas nada que tenha a ver com finanças. Mais misteriosas, ou talvez não, são as razões para os jornalistas aceitarem estas piruetas ministeriais sem levantarem cabelo.

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