Será o início do fim?

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 16 Novembro 2018
Será o início do fim?
  • Rui Mendes

 

Em 29 de Março de 2017 a primeira-ministra Theresa May apresentou o pedido de saída do Reino Unido da União Europeia, cumprindo assim uma vontade popular resultante do referendo de 2016.

A 19 de Junho de 2017 dava-se início ao processo negocial ficando, desde logo, acordado quais as áreas para as quais o Acordo deveria dar respostas.

Esta semana os negociadores da União Europeia e do Reino Unido apresentaram o draft do Acordo, tendo aquele documento que ser votado favoravelmente pelos órgãos próprios do UK e da UE.

 

Ora, foi precisamente este processo que o Reino Unido iniciou esta semana. Primeiro com a aprovação do Acordo pelo Conselho de Ministros. Faltando submetê-lo para a aprovação do Parlamento.

Pese embora o Acordo tenha tido a aprovação pelo Conselho de Ministros, os danos são já muitos, desde logo pelas várias demissões de membros do governo britânico que não concordam com os termos do Acordo.

Algo que seria expectável, porque provavelmente hoje os que defendem o Brexit serão uma minoria.

Mas estamos certos que os danos serão bem maiores e não se ficarão apenas pelas demissões de governantes.

A aprovação Acordo pelo Parlamento será uma tarefa bem mais díficil, pelo que veremos se este será o Acordo que irá separar o Reino Unido da União Europeia, ou se porventura não será o teste que fará repensar todo este processo.

 

Na União Europeia o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, terá convocado uma cimeira extraordinária de chefes de Estado para o próximo dia 25 de novembro para que o Acordo seja aceite.

 

Entretanto relembremo-nos das palavras que Donald Tusk proferiu quando recebeu o pedido da saída do Reino Unido da UE:

“Não existe razão para fingir que este é um dia feliz, nem em Bruxelas, nem em Londres. Afinal de contas, a maioria dos europeus, incluindo quase metade dos eleitores britânicos, deseja que fiquemos juntos, não que nos afastemos. Da minha parte, não vou fingir que hoje estou feliz. Nós já sentimos a vossa falta.”

Recentemente, quando lhe foi entregue o draft do Acordo pelo negociador-chefe da UE, o mesmo Donald Tusk, mencionou:

“não partilhar do entusiasmo da primeira-ministra britânica, Theresa May, quanto ao Brexit, reiterando que as negociações visaram sobretudo fazer um controlo de danos numa situação em que todos perdem.”

Donald Tusk tem bem sabido interpretar o pensamento da maioria dos europeus no que respeita ao Brexit, ainda assim teremos que lamentar que se persista num Brexit que, a acontecer, trará perdas para todos, para aqueles que acreditam no projecto europeu e para os que não acreditam. Todos perdemos e todos ficaremos mais fracos.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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