Será um aviso à nossa “navegação”

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 01 Maio 2019
Será um aviso à nossa “navegação”
  • José Policarpo

 

 

Tal como em Espanha, nós em Portugal, no presente ano, teremos eleições legislativas e europeias. No caso de Espanha aquelas tiveram lugar no Domingo. O resultado deu a vitória ao Partido Socialista e derrotou, fortemente, o Partido Popular, como, penalizou, também, o Podemos.

Antes de tentar estabelecer um paralelo com o nosso país, quero, antes, aventar algumas das prováveis razões que justificaram o desaire destas duas forças partidárias. Comecemos então pelo Partido Popular: o eleitorado do centro-direita que normalmente vota PP não terá apreciado a colagem à direita mais conservadora e radical, poderá se uma explicação. Porém, a razão que mais me convence está ligada ao fenómeno de corrupção que manchou o Partido Popular na última década.

Relativamente ao Podemos, o castigo eleitoral resultará porventura da desilusão que o seu eleitorado teve ao saber que o seu presidente adquiriu uma nova habitação por seiscentos mil euros, quando a anterior pouco mais valia do que 10% da atual. Bem prega frei Tomás…

Ora, o seu eleitorado na sua esmagadora maioria não tem condições de comprar casa própria, quanto mais por aquele valor. Esta incongruência, para não lhe chamar outra coisa, não terá caído muito bem no eleitorado da extrema-esquerda que canalizou parte do seu voto para o PSOE.

No nosso caso, será que o eleitorado português penalizará os partidos que atuaram eticamente menos bem para não falar em questões do foro da legalidade, mormente, de natureza criminal? Aguardo com expectativas pelos resultados eleitorais do presente ano.

Na verdade, houve bastantes casos que “mancharam” a classe política portuguesa que, em nada abonam, para uma convivência saudável em democracia. Todos nos lembramos, certamente, dos incêndios de 2017, de Tancos e das viagens…

Em suma, os partidos políticos portugueses com ambições de governo deverão explicar-se muito claramente, o que querem e que não querem para o país. E, com quem não querem estar ao lado, para governar. O eleitorado não só agradecerá, como, ainda, a democracia fortalecer-se-á.