Siga a luta

Crónica de Opinião
Terça-feira, 26 Janeiro 2021
Siga a luta
  • Cláudia Sousa Pereira

 

 

O balanço da campanha está feito. E o meu voto, matemático, juntou-se talvez a votos militantes e a votos simpatizantes, mas assumiu-se como um voto sobretudo antipatizante. Teve um ténue efeito, a antipatia que escolhi, no círculo eleitoral em que voto. Enfim, parece que teremos de aprender que da moderação se colhem frutos com muito menos hipóteses de serem venenosos.
Reposta a normalidade do calendário político-partidário, voltamos à pandemia que, de resto, nunca deixou de estar debaixo do olho, e do faro de quem a procurou como alarde para continuar a criar factos e a proporcionar o triste espectáculo de ver gente a dizer coisas como se tivessem toda a informação para o fazer com credibilidade. A sério que às vezes me apetece muito comentar determinadas indignações muito doutas com um “Há-de V.Exa. perceber muito desse assunto!” Claro que só isto não se faz, sob pena de estarmos a responder à ignorância com grunhice, o que se está a tornar mais comum do que seria desejável. É preciso gastar (ou melhor, investir) muito tempo e energia a argumentar e contra-argumentar, correndo o risco de não se ser ouvida, ou achar que é tudo muito estratosférico ou lírico. Enfim, o habitual quando se valoriza mais o capital de queixa do que o esforço na solução. É que há coisas que têm a sua complexidade, ora essa! Dou um exemplo: não tendo que ver com as circunstâncias pandémicas, não tendo a exigência de uma gestão nacional, há universidades em que os estudantes têm de esperar até quase à véspera do primeiro dia do semestre para saberem o seu horário. Como pode, quem gere este tipo de instituição, apontar o dedo a hesitações de nível nacional e internacional com virulência e escárnio?
Regressando à maldita COVID19 e às eleições, a luta, que nos espera, que não nos larga e vai fazer não tarda um ano, terá de contar com tantos boicotes como os que, por razões várias, ignoraram o voto como um dever. Cada um à sua maneira, abstencionista e negacionista deixam caminho aberto a que outros lhes tratem da saúde. E alguns, não tratando, ajudam muito sobretudo a empatar. Ou será só a disfarçar a sua incompetência?
Até para a semana.

 

Cláudia Sousa Pereira

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