Soam os tambores da guerra

Segunda-feira, 07 Março 2022
Soam os tambores da guerra

 

Estamos a viver na Europa do século XXI uma guerra e uma crise humanitária que não acreditaríamos já serem possíveis. Em menos de duas semanas um país está destruído e contam-se já em mais de um milhão e meio os refugiados ucranianos e muitos mais milhões de vidas na incerteza.

Passaram 12 dias desde que os tambores da guerra troaram na Europa e temos assistido, em directo, à invasão da Ucrânia pelas forças militares russas.

Tem de ser inequívoca a condenação de Putin que lançou esta guerra contra um país soberano, sem qualquer provocação directa, e dos ataques a populações civis que são violações claras do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Podemos e devemos analisar as razões mais profundas desta guerra que podemos fazer remontar aos anos 90 e ao fim da União Soviética; podemos e devemos tentar perceber o impacto que, para a Rússia, tem o alargamento da NATO a Leste, ou o facto de a comunidade internacional não ter reagido à ocupação da Crimeia pela Rússia e aos confrontos no Donbass ou ainda de ter fechado os olhos aos incumprimentos pela Ucrânia e pela Rússia dos Acordos de Minsk, mas nada disto, nenhuma destas razões, pode ser a justificação para a invasão ordenada por Putin.

A Ucrânia tem reagido e feito frente à invasão e a população ucraniana tem criado grandes dificuldades às forças russas, mas a desproporção de meios é por demais evidente. Mesmo com apoio de equipamentos militares da NATO e de países europeus a posição ucraniana é frágil e não pode contar com apoio de forças militares da NATO, que tem reiterado que não vai intervir directamente no conflito, o que induziria uma escalada na guerra e um perigo para toda a Europa.

As imagens de destruição que nos chegam são de uma brutalidade imensa, de tal forma que a Amnistia Internacional estima que vários crimes de guerra tenham sido cometidos dados os ataques a hospitais, blocos de apartamentos, viaturas civis e jardins de infância e 39 países, incluindo Portugal, fizeram já a denuncia contra Putin e as chefias russas ao Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, genocídio ou crimes contra a Humanidade.

Nestes últimos dias a Rússia tem intensificado a ameaça, agitado o medo do nuclear, proferido ameaças contra a Suécia e a Finlândia, e tem fugido a uma mediação do conflito e à negociação de um cessar fogo.

Mas nem a militarização da Ucrânia em curso nem qualquer que seja uma vitória militar será um bom fim para este conflito. Só a negociação permitirá um real caminho para a paz.

Este é um conflito que desde o início extravasa os seus próprios limites territoriais e que vai certamente marcar uma nova ordem mundial, mas a cada dia que passe e a Rússia reforce a sua posição no terreno será mais difícil uma solução diplomática pacífica e duradoura, a única que permitirá uma resposta mais equitativa para a segurança na Europa.

Até para a semana!

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