Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 22 Dezembro 2022
Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar
  • Sara Fernandes

 

 

Fui convidada, no passado dia 8 de Dezembro, a participar na sessão comemorativa do 122º aniversário da SOIR – Joaquim António de Aguiar, na qualidade de vice-Presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto – CPCCRD.

Ao preparar a intervenção que proferi, vieram-me à memória os três tomos do livro de Jorge Amado, “Os Subterrâneos da Liberdade”. Ali, em vários diálogos aparece a questão da importância da cultura na formação de uma vanguarda da classe operária que possa efectivamente transformar a sociedade. Sempre que penso na SOIR, esses diálogos vêm-me à memória. São basicamente diálogos entre gente culta, culta no sentido que Bento de Jesus Caraça dá à palavra, só que uns são ricos, burgueses e outros operários e pobres. E há sempre uma dúvida, um espanto dos primeiros ao perceberem a profundidade da cultura dos segundos. Ao espanto sobrevém o enorme respeito por esses homens grandes, que Jorge Amado tão bem nos oferece.

À ideia de que a cultura, dita erudita, não é para todos, que o acesso dos operários à cultura é mais, ou apenas, uma questão de recreio, de zumba ou de pimba a SOIR soube responder, tendo procurado sempre, em todas as suas áreas de actuação, o critério da qualidade. A componente mercantil e as exigências marcadamente ideológicas dos financiamentos públicos são armadilhas em que facilmente se cai. A SOIR soube resistir e desejo que esse seja o caminho que Évora vai percorrer até, e além de, 2027.

Falando em nome da Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, não pude deixar de saudar, com especial consideração todos os dirigentes associativos que mantêm vivas estas célula base do movimento cultural da nossa cidade e que se constituem alavanca para qualquer intervenção comunitária numa estratégia de desenvolvimento. Aqui, como ali, deixo uma palavra especial para o extraordinário homem que foi João Bilou, justamente homenageado na forma que ele certamente teria gostado, entre amigos, ouvindo poesia.

Fundada em 1900 faz hoje sentido? Eu digo que mais do que nunca!

Como sempre tem feito, a SOIR continuará, estou certa, a formar gerações com capacidade de questionar, mas que conseguem ir da dúvida à acção transformadora, que será o garante de um mundo melhor.

Parabéns à Joaquim António de Aguiar! Parabéns à SOIR!

E como o tempo é de relançamento, desejo a todos os ouvintes boas festas, muita felicidade e alegria!

Até para a semana!

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