Sofrer agora para ganhar o céu, mais tarde

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 09 Junho 2022
Sofrer agora para ganhar o céu, mais tarde
  • Alberto Magalhães

Ele há males que vêm por bem e não se deve criticar os nossos esforçados governantes, em especial o primeiro-ministro, sem antes tentar integrar, interiorizar e compreender o real alcance de certas medidas que, interpretadas com ligeireza, poderiam sugerir um aumento de dificuldades para o normal cidadão ou, até mesmo, uma displicência em honrar promessas feitas.

Por exemplo, a insistência de António Costa num aumento de 0,9% nos salários e pensões do Estado, no Orçamento aprovado, quando a inflação será, no mínimo de 5%; ou a redução da gratuitidade das creches para metade das crianças quando, decerto por precipitação, a promessa abrangia todas elas; ou a directiva do Instituto da Segurança Social para diminuir de 120 mil para 90 mil os beneficiários do Programa de Apoio às Pessoas Mais Vulneráveis, acompanhada da efectiva redução do cabaz alimentar para todos eles; todas estas poupanças, com aparente impacto negativo na vida do Zé Povinho, sobretudo no de menos posses, podem – direi mais, devem mesmo – ser vistas pela positiva, como prenúncio dos amanhãs que cantam. No poupar é que está o ganho!

Pois não vai Costa lutar para que o salário médio, público e privado, seja, no fim da legislatura, 20% mais elevado? Já descontando a inflação, é evidente. E não vai o Governo estudar a semana dos 4 dias, sem diminuição de salários? Equivale a mais 20% de aumento, não é verdade? Então de que nos queixamos? Está tudo bem assim e não podia ser de outro modo.

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