TAP em modo automóvel

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 07 Outubro 2022
TAP em modo automóvel
  • Rui Mendes

 

 

A TAP não deixa de ser assunto. E não deixa também de nos surpreender. Lamentavelmente, quase sempre pela negativa.

Desta feita surpreendeu-nos com a renovação da frota automóvel. A TAP pretendia substituir a frota automóvel que possuí por uma nova frota de cinquenta automóveis BMW, que se destinavam para a administração e diretores.

Assim que a comunicação social começou a divulgar a notícia o coro de críticas foram gerais. As indignações mais que muitas.

Numa primeira reação, de defesa, o Conselho de Administração da TAP emitiu um comunicado no qual defendia que a renovação se destinava a cumprir o contrato, que terminava, e que com a mudança da frota iria gerar uma poupança anual de 630 mil euros.

Como é possível que os membros do Conselho de Administração da TAP não tenham percebido o momento que a empresa viveu e vive.

Como é possível que estejam tão distantes da realidade do país, das dificuldades porque tantos estão sujeitos. Muitos dos que hoje sentem as dificuldades por perda do seu poder de compra são obrigados, porque são contribuintes, a suportar uma empresa em que cada vez menos portugueses acreditam

A TAP é uma empresa que tem saído cara aos portugueses. Quando tem problemas lá vai o Governo injetar verba para manter a empresa.

O momento de substituição da frota era de todo inoportuno, por todo o tipo de razões, políticas, sociais e até económicas. Parece que só os membros da Administração da TAP não o perceberam, ou aliás, perceberam tarde, porque, entretanto, recuaram na decisão de renovar a frota. Mas recuaram tarde.

Contudo, ficou um sinal, da indiferença da TAP perante aqueles que são os seus condicionalismos. Que se lhes diga, em português e em francês, para que todos o entendam, que estão suportados por dinheiros públicos, devendo por isso prestar contas públicas.

O Governo de Passo Coelho privatizou a maioria do capital da TAP, o primeiro Governo de António Costa reverteu esse processo, mais uma vez com o dinheiro dos contribuintes que suportaram a loucura de uma TAP com capital totalmente público.

O dossier TAP é um dos que tem sido especialmente mal gerido pelo Governo, e como o Executivo já percebeu o erro que cometeu quer-se agora desfazer do problema. Sete anos depois conclui que a TAP deverá ser privatizada. Precisou de sete anos para o concluir. Veremos se este Executivo terá tempo para deixar a TAP como a recebeu. Porque estratégia para a TAP é o que não existe. Sete anos depois quer voltar a sete anos antes. É esta a estratégia.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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