Tempo de mudança

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 15 Março 2024
Tempo de mudança
  • Rui Mendes

O resultado das eleições do passado dia 10 mostraram que os portugueses querem mudança. E exibiram esse querer de uma forma bastante evidente.

A próxima constituição da Assembleia da República terá uma composição substancialmente diferente.

A esquerda perde a maioria confortável que nela possuía.

A direita ganha uma maioria significativa, para já, com 135 deputados eleitos.

A esquerda perde assim a possibilidade de se associar para governar. Nem com geringonças conseguirá governar.

A noite do passado domingo teve dois derrotados.

Os socialistas perdem para já, estando ainda por eleger os deputados da emigração, 40 deputados, grande parte destes conquistados diretamente pelo Chega, aquele partido que Santos Silva e António Costa foram espicaçando durante estes dois últimos anos e que agora, imagine-se, se dizem preocupados pelo seu crescimento.

Os socialistas perderam votos e deputados em todo o país. A derrota só não foi tão visível no dia das eleições porque AD e PS terminaram a noite com uma pequena diferença de votos. Ainda assim os socialistas sofrem enormes perdas.

Também os comunistas estão no grupo dos vencidos, pois perdem dois deputados, um deles o deputado eleito pelo círculo de Beja e, com esta perda, pela primeira vez, deixam de ter deputados eleitos pelo Alentejo, algo que tem um grande significado, ficando o grupo parlamentar da CDU reduzido a quatro.

Agora irá iniciar-se um novo ciclo.

Termina um período de mais de 8 anos de governação de António Costa, em que se adiaram decisões, em que o país verdadeiramente esteve por várias vezes em gestão corrente, devido a inércias dos governos Costa. De governos fracos não se poderia esperar outra coisa que não a falta de resultados e uma insatisfação geral na sociedade portuguesa. É isso que António Costa nos deixa.

Os socialistas, mais uma vez, desperdiçaram um longo ciclo governativo.

O próximo governo da AD terá uma governação difícil, atendendo à forma como ficará constituída a Assembleia da República.

Mas foi essa a escolha dos portugueses. Quando votaram sabiam em quem estavam a votar e quem não queriam na governação. Isso foi claro. Foi isso que disseram com o seu voto.

Agora é respeitar essa vontade expressa dos portugueses. É assim em democracia.

O próximo governo apresentará o seu programa à Assembleia da República, cabendo a esta votar as leis e apreciar os atos do Governo. Os deputados terão a sua palavra permitindo, ou dificultando, caminhos para uma governação, sendo certo que os portugueses estarão atentos e saberão fazer o seu julgamento, como, aliás, no passado também o fizeram.

Até para a semana

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