Tempos loucos

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 16 Setembro 2021
Tempos loucos
  • Alberto Magalhães

 

Não tenhamos dúvidas, vivemos num tempo em que os extremismos de diversas cores ganham um protagonismo nos meios de comunicação – incluindo aqui os ‘media’ tradicionais e as redes sociais – que sugere o aumento exponencial do caos e da loucura, como se todos os narcisistas e psicopatas, todos os alucinados e delirantes, todos os idiotas e cretinos, tivessem decidido, por insondáveis razões, sair colectivamente do “armário.”

Que a minha avó Isaura, que se lembrava das idas a banhos da rainha D. Amélia à praia de Pedrouços e tinha a 4ª classe, se recusasse a acreditar que, naquele mês de Julho de 1969, Neil Armstrong pusera os pés na Lua, eu, com os meus emproados 17 anos, aceitava, embora não muito bem. Que 50 anos depois, gente que andou na escola mais de uma dezena de anos, em pleno século XXI, defenda que a Terra é plana como uma tarte, ou não compreenda que as vacinas foram decisivas para se conseguir duplicar a esperança de vida dos seres humanos, em menos de um século, deixa-me abismado.

A juntar a esta espécie de extraterrestres que se comprazem em negar o óbvio ululante, preferindo acreditar em teorias alternativas na medicina, na psicologia, na astrofísica ou mesmo na física quântica aplicada à massagem da aura védica, temos um outro tipo de personagens. Estes dedicam-se, com especial desvelo, à pregação da catástrofe, ao anúncio do fim do mundo; pelo menos do mundo tal qual o conhecemos. Os cristãos primitivos acreditavam que o fim dos tempos e o Juízo Final eram para amanhã. Depois conformaram-se a esperar por ele. No fim do primeiro milénio houve quem o anunciasse. No ano 2000 também. Agora, dizem-nos que não vai ser preciso esperar outros mil anos para que o dilúvio se abata sobre nós.

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