Terrorismo escolar

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 14 Fevereiro 2022
Terrorismo escolar
  • Alberto Magalhães

Quando saiu o DSM-5, ou seja, a 5ª versão do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, editado pela Associação Psiquiátrica Americana, estranhei o desaparecimento da síndrome de Asperger, sumida ou absorvida num mais vago campo das perturbações do espectro do autismo. Suspeito que tudo se deveu à sensibilidade exacerbada dos psiquiatras mais jovens, ofendidos por um transtorno mental ter o nome do médico austríaco Hans Asperger, um impenitente nazi.

Caracterizada por um défice grave e persistente da interacção social, a Perturbação de Asperger, distinguia-se do autismo, por não existir um atraso geral da linguagem nem atraso cognitivo, possuindo os indivíduos uma certa autonomia e capacidade de adaptação (pior na interacção social). Muitos cromos da informática ou cientistas excêntricos, por exemplo, poderão ser casos benignos da síndrome de Asperger.

Pelas suas dificuldades de interacção com os outros, tornam-se frequentemente alvo de gozos, humilhações e até agressões físicas. Raramente resolvem ripostar, massacrando colegas e professores. O FBI descobriu um caso em Portugal, a PJ resolveu brilhar e assustar a malta e as TV aproveitaram para dar espectáculo. Os colegas dele, das duas uma: ou ficaram em estado de choque e tiveram chiliques e ataques de pânico, exibindo a fragilidade de bebés-chorões da sua geração, ou resolveram aproveitar o não-acontecimento para pedir uma semanita de férias e o adiamento de exames. Falo dos que apareceram no show. Os outros, claro, seguiram com a sua vida depois do sobressalto.

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