Tienanmen e Hong-Kong

Nota à la Minuta
Terça-feira, 11 Junho 2019
Tienanmen e Hong-Kong
  • Alberto Magalhães

 

 

Passaram, há dias, trinta anos sobre o massacre na Praça Tiananmen. O supremo líder Deng Xiaoping, o criativo inventor do capitalismo em sistema de partido único, comunista, decidiu acabar com a festa na noite de 3 para 4 de Junho de 1989, mandando os tanques avançar sobre os milhares de estudantes que ocupavam a Praça havia mais de um mês, pedindo eleições livres e liberdade de expressão.

Segundo parece, a liberdade de expressão na China é tanta que os estudantes de hoje não fazem uma pálida ideia do que se passou, há trinta anos, em Tiananmen. Deng Xiaoping ganhou décadas de pacificação política e de crescimento económico. Enriquecer, tornou-se o desígnio dos “verdadeiros” comunistas. O controlo dos cidadãos, graças à tecnologia de reconhecimento facial e aos milhões de câmaras-vídeo estrategicamente colocadas, atingiu, na era de Xin Jimping, a perfeição orwelliana do Big Brother is watching you.

Neste contexto, a manifestação de domingo, em Hong-Kong, que terá reunido um milhão de pessoas, em protesto contra uma nova lei, que permitirá a extradição para a China de suspeitos de um crime, que pode ser simplesmente um delito de opinião, é a primeira grande afronta ao PC chinês desde Tienanmen.

Pois não é que, num canal informativo da televisão portuguesa, ouvi uma jornalista assumir acriticamente as dores de Xi Jimping: “sem esta lei, Hong-Kong tornar-se-ia um paraíso para os criminosos”, disse ela, ingenuamente incompetente, na melhor das hipóteses.