Todos os animais são iguais, mas…

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 13 Fevereiro 2020
Todos os animais são iguais, mas…
  • Alberto Magalhães

 

 

Duas notícias chamaram a minha atenção na semana passada. A primeira, dava conta de ataque a um rebanho de cabras, obra não de lobos mas de cães vadios, redundando no assassinato de 17 inofensivas cabrinhas. Já agora, se fossem mortas por lobos, as cabras teriam direito a subsídio, mas por cães, nicles batatóides, é uma morte de segunda, que não merece compensação.

Mercê de uma lei, que entrou em vigor em Setembro do ano passado, e da inércia e inépcia dos poderes públicos, os agressores são detentores de imunidade absoluta, seja porque o seu abate está interdito, seja porque os canis estão cheios como ovos. De Lisboa virá, já calculamos, a resposta dos legisladores animalistas: a culpa é das câmaras que não esterilizaram os vadios, nem aumentaram os canis e gatis municipais. Seja a culpa de quem for, alguém tem de fazer alguma coisa. Senhores deputados, alguma ideia?

A outra notícia, com direito a reportagem nas TVs: bandos de javalis beirões, quais pragas de gafanhotos, vêm arrasando culturas em Terras do Demo, levando os agricultores que ainda resistem no interior a ter saudades do mar. Dizem eles, que há excesso de javalis e que os serviços oficiais competentes têm de organizar mais batidas. Os prejuízos são muitos e dão vontade de fugir.

As autoridades competentes, provavelmente, estão paralisadas com a magna questão do princípio da Igualdade, cuja perversão já George Orwell denunciava: então “todos os animais são iguais, mas uns sempre são mais iguais que outros?”. Como abater javalinas e javalis com o pretexto da superpopulação, se cães e gatas gozam de imunidade? Eis a questão que se deixa à consciência dos nossos deputados.

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