Três casos

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 08 Janeiro 2021
Três casos
  • Rui Mendes

 

 

Entrámos em 2021.

1)     A gestão que tem sido adotada pelo Governo para combater a Covid provocou um aumento de novos casos diários de uma dimensão assustadora. Terça-feira foram registados mais 10 027 novos casos, quarta-feira 9 927, com o número de internamentos e de óbitos em crescendo. Alguns hospitais já atingiram o seu limite, outros estão a atingir esse limite. Pelo que nos é diariamente relatado pela comunicação social é notório que falta organização no sistema de saúde, e evidente que caminhamos para situações ainda mais extremas.

Estamos certos de que muitas medidas têm acontecido de forma tardia e algumas serão de eficácia duvidosa.

Os números atuais de novos infetados não são surpresa, antes pelo contrário, são resultantes de opções do Governo, e terá havido uma preparação pública para que estes números tivessem sido, de alguma forma, os esperados.

Estamos, mais uma vez, no grupo europeu dos piores.

2)     O Processo da escolha do Procurador Europeu também não nos favorece.

Por mais que o Governo queira desvalorizar o caso, o certo é que este tomou uma dimensão que embaraça os seus autores.

A forma como aconteceram outras mudanças leva-nos a suspeitar das escolhas do Governo.

Não esquecemos, entre outras, a substituição de Joana Marques Vidal na PGR, ou de Vítor Caldeira no TdC.

O caso da escolha do Procurador Europeu é inacreditável. Não só pela gravidade de se invocarem elementos curriculares falsos. Mas também pelo que tem sido noticiado pela comunicação social, por se ajustar o procedimento a um candidato. Pela violação de princípios basilares da atividade administrativa, designadamente, a definição de critérios em fase posterior à receção das candidaturas, pela não notificação dos fundamentos que originaram a ordenação dos candidatos, não permitindo o direito de audiência prévia, não podendo os candidatos assim contestar a decisão.

É fundamental que se questione o Governo, algo próprio de um Estado democrático, para que a opinião pública seja esclarecida. Afinal Portugal ainda é um Estado de Direito.

3)     Por último, referir que o Governo optou por aumentar a administração pública. É suposto a existência de aumentos para aproximadamente um quinto dos trabalhadores da administração pública, para os que auferem remuneração até ao sétimo nível da tabela única, ou seja, para remunerações ilíquidas até 791,91 euros.

O Governo continua com a sua política de nivelamento por baixo dos salários da administração pública. Valoriza as muito baixas remunerações e esquece todas as demais.

É de todo uma visão que é o antípoda do que deve sustentar uma política salarial: pagar pela função exercida, pelos resultados, pelo empenho, premiar o mérito. Enfim, a visão do Governo é diferente. Se é que tem alguma visão sobre esta matéria.

 

Estes casos, e tantos outros, mostram o país que estamos a construir. Um país mais endividado, um país em que a pobreza persiste em manter-se, um país em que a classe média, de ano para ano, vê os seus rendimentos diminuírem, um país em que o mérito vale cada vez menos.

Reflita sobre se é assim que quer que Portugal continue.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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