Trump e os ayatollahs

Nota à la Minuta
Terça-feira, 07 Janeiro 2020
Trump e os ayatollahs
  • Alberto Magalhães

 

 

Em 1979, o Xá da Pérsia, um déspota laicizante, amigo de americanos e ingleses, por sua vez amigos do petróleo iraniano, foi derrubado por uma revolução comandada do exterior por um imã, conhecido por ayatollah Khomeini, um fundamentalista islâmico xiita. Nesse mesmo ano, a embaixada americana foi ocupada pelos revolucionários e 52 americanos sequestrados durante 444 dias, o que impediu o presidente Jimmy Carter de ser reeleito, cedendo o lugar ao republicano Ronald Reagan.

Quarenta anos depois, Donald Trump ameaça o Irão com o bombardeamento de 52 pontos estratégicos, frisando aliás, alarvemente, que alguns seriam importantes e insubstituíveis elementos da cultura persa. Antes disso, em 2018, retirou os EUA do Acordo de Não-Proliferação Nuclear que o presidente Obama conseguira do Irão em 2015, assinado pelos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais a Alemanha, e que estava a restringir o caminho do país para as armas nucleares. Trump prometera desfazer o que Obama fizera e cumpriu. O Irão recomeçou a caminhada nuclear. Trump garante que o Irão nunca terá tal arma.

Agora, depois de uma escalada de provocações e contra-provocações, depois da eliminação do general Soleimani, arquitecto da expansão regional do poder iraniano, Trump e o regime de Teerão parecem estar nas suas sete quintas: Donald está mais perto da reeleição e já diz que o processo de destituição montado contra si, tem de ser anulado, para ele tratar da saúde aos ayatollahs. Estes agradecem e retribuem. A grande contestação de que o seu regime vinha sendo alvo esfumou-se ontem no funeral de Soleimani. Na melhor das hipóteses, a situação está pior do que estava. Para todos, menos para os maus da fita.

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