TSF, telefonia sem fios

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 11 Janeiro 2024
TSF, telefonia sem fios
  • Nuno do Ó

2024. Neste início de ano, quase de ficção científica, tão adiantados no século 21 que já vamos, gostaria de antes de tudo, de desejar o melhor ano possível a todos. Seria desejável que pudéssemos começar o ano de melhor maneira, com esperança num mundo melhor e mais justo, mas a verdade é que não faltam razões para nos preocuparmos.
As guerras no mundo continuam em força, com tendência para piorar ou para escalar, como dizem os muitos especialistas que proliferam na comunicação social, também eles, em grande maioria, cegos pela contingência das armas, pela cegueira generalizada dos que continuam a pensar que as bombas irão resolver o problema. Já há quem preveja uma terceira guerra mundial. Infelizmente, temos muitos atores prontos para isso, como já tivemos antes, do mesmíssimo calibre. Os que acham que podem vencer e os que pensam que irão lucrar com isso. Já seria tempo de percebermos que as bombas só trazem morte e destruição, não trazem soluções, a não ser para aqueles, que são bastantes, que lucram com a loucura do dinheiro que vamos pagando para que esta loucura continue.
Mais uma vez parece que voltamos a acreditar nos mesmos que já nos destruíram e que voltarão a fazê-lo, sem hesitação, como já o fazem. Os SAs, os anónimos sem alma das empresas que vendem aos milhões o que só servirá para arruinar os povos. Os seus acionistas, que só esperam o lucro, mesmo sem nada de mais para fazer com ele, a não ser, inchar com mais umas férias em ilhas longínquas, pagas com o peso do ouro que tiraram das nossas veias e claro está, os inconscientes lacaios que os apoiam, aqui, na Europa, na Argentina, na América, por todo o lado.
Os que os apoiam e que depois se arrependem, para depois se esquecerem e voltarem a repetir tudo outra vez. Uma insanidade completa. Acabámos o anterior e começámos este ano com a perspetiva de mais um rude golpe no jornalismo e na comunicação social nacional, totalmente dependente do dinheiro e das vontades dos grandes grupos económicos, da vontade que estes mantêm em dominar o pensamento, todos os pensamentos, numa iniciativa liberal e vital para que os ricos continuem cada vez mais ricos, e os pobres, que como já se sabe, cada vez mais pobres…
E agora, mais um dos exclusivos grupos económicos de media, que com os seus CEOus capitalistas e os seus acionistas, dominam a opinião da imprensa, que os mais distraídos ainda consideram livre, uma imprensa que nunca será livre se depender de tais grupos económicos. Um grupo em eminência de ruir, como outros antes, que renascerá com outro nome, mas que arrasta consigo uma série de jornais, revistas e rádios, alguns de referência. Cerca de 13. Entre eles, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e a TSF, a rádio local que começou a emitir em 1988, como uma rádio pirata dedicada à informação, a partir de uma cooperativa formada por um grupo de 15 profissionais de rádio. Aqui sim, poderíamos falar de uma imprensa livre, dirigida por jornalistas, como sempre deveria ser e por onde passaram nomes como António Macedo, David Borges, Sena Santos ou Mário Dias, até que o segundo governo de Cavaco Silva acabou com isso e pôs ordem no panorama radiofónico nacional. É assim que o assunto é citado no próprio sítio da TSF.
E assim foi. Puseram tudo e todos na ordem. Acabaram-se as rádios piratas que proliferavam um pouco por todo o país. Em 1989, começaram as emissões da TSF de forma oficial, com Emídio Rangel como diretor e jornalistas provenientes dos também já extintos Semanário O Jornal, do Diário de Lisboa e do Tal & Qual. Depois arranjaram-se as dívidas do costume e o grupo Lusomundo comprou a TSF. Nessa mesma altura Emídio Rangel foi para a SIC. Entretanto o grupo que detém esta rádio, chama-se Global Media Group, que como se destaca no seu site, está presente, diariamente, na vida de milhões de portugueses, com vários jornais, revistas, publicações digitais e uma estação de rádio. E isto é fundamental para os poderes capitalistas e liberais, para os que defendem a lei do mais forte, a da selva, que é onde vivemos.
A imprensa livre, cada vez mais comprometida, questiona pela sua independência ou pela falta dela, os fundamentos da democracia. Cada vez menos órgãos de comunicação, cada vez mais grupos de média, que dominam tudo o que se diz, difundem as opiniões de uma classe privilegiada e dominante, até que nada se possa dizer em contrário, se é que ainda se pode, num mundo cada vez mais unânime, mais acrítico, que sem juízo ou julgamento nos poderá levar à desgraça, uma vez mais.
Nada de novo portanto. Já perdemos tantos outros jornais antes, em favor dos grupos e dos dinheiros que tomam conta disto tudo, dos donos disto tudo, a quem, lamentavelmente, lhes vamos dando suporte. Uma lista imensa de perdidos, sem achados, como O Diário de Lisboa, O Jornal, o Diário, A Capital, O Comércio do Porto, O Sete, entre tantos outros.
Parece só subsistir uma forma primordial de mudar o rumo das coisas. Quase única. A que nos permite votar em Liberdade. Este ano teremos várias eleições. É imprescindível que votemos, que votemos bem e de olhos bem abertos, para tentar evitar a repetição da asneira.

Bom ano e até para a semana.

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