Tudo do Avesso

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 18 Abril 2018
Tudo do Avesso
  • José Policarpo

 

 

A notícia de que ala pediátrica do Hospital de S. João do Porto não é digna para receber doentes, quanto mais para acolher as crianças que padecem de doença oncológica, alarmou o país e ainda mais os moralistas. A notícia de que os deputados eleitos pelas regiões autónomas abusam das prerrogativas que têm, igualmente causou o mesmo efeito e, aqui, sobretudo nos falsos moralistas. Impõe-se a pergunta: o que é que os moralistas da pátria fizeram para evitar estas duas situações? Muito pouco ou nada.

Há, todavia, a meu ver um problema que o país das falsas moralidades faz de conta que não vê. Qual seja: as instituições públicas estão na iminência de ruírem se nada for feito. E explico na minha opinião o porquê desta afirmação. Quando se sabe que o problema, o do caso da ala pediátrica, está identificado há mais de dez e que nada fora feito pelo menos a fazer fé no que diz a comunicação social, tudo falhou. Administração central, a regional e os vários conselhos de administração do Hospital em causa.

Para que o ramalhete ficasse concluído, o da ineficácia do Estado, as explicações do ministro da saúde para explicar o inexplicável vieram compô-lo em absoluto. Disse este senhor, pelo menos foi essa a sua intenção, que não era responsável, porque os governos anteriores não tinham resolvido o problema da ala pediátrica. Esta desculpa é inqualificável, seja dada pelo mais insignificante quadro do ministério, quanto mais dada pelo responsável máximo do setor. Haja decoro Senhor ministro que os seus administrados não são todos tontos.

Relativamente à questão dos alegados abusos dos deputados eleitos pelas regiões autónomas, com a exceção da deputada do PSD Madeira, para além de outras consequências politicas e legais a tirar, os deputados, porque são os representantes dos cidadãos que constituem este país, devem clarificar a questão o mais rapidamente possível no sentido de que o regime legal que concede as ditas regalias, não possa, nem deva suscitar dúvidas a ninguém.

Por fim, a liberdade de imprensa é um princípio estruturante dos regimes democráticos. Mas um país não deve ser gerido pela comunicação social, sob pena de que só é prioritário aquilo que faz noticia. Há muitos exemplos e maus de que o acessório passou a ser prioritário e este constitui-se acessório. Viver num país assim não será nada fácil para a maioria da população e muito menos para os mais desprotegidos. É nosso dever estarmos atentos.

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