Tumultos nos EUA – II

Nota à la Minuta
Terça-feira, 02 Junho 2020
Tumultos nos EUA – II
  • Alberto Magalhães

 

 

A desorientação de Donald Trump face à pandemia foi evidente. Primeiro, acreditou nas informações da OMS e do amigo Xi Jimping e fanfarronou sobre o tema. O vírus não lhe metia medo. Depois, perante a gravidade da escalada de infecções e mortes e, sobretudo, perante o desabar da situação económica – até aí o seu maior trunfo eleitoral – começou a agitar-se em várias direcções: injectou triliões de dólares na economia – que não impediram o rápido aparecimento de 39 milhões de desempregados; tratou de sacudir as responsabilidades para a OMS e a China – que, por sinal, se tinham posto mesmo a jeito para servir de bodes expiatórios; propôs remédios milagrosos e estapafúrdios para acabar com a onda de covid-19 e, de uma penada, não só convencer os seus eleitores de que o vírus podia ser derrotado sem grandes confinamentos, como arranjar mais bodes expiatórios, desta vez internos, os governadores democratas que insistiram em mandar as pessoas para casa.

No entanto, mesmo com todos estes passes de mágica, a reeleição de Trump continuava tremida e as hipóteses de Joe Biden estavam a subir. Porém, a crise que o assassinato de George Floyd, às mãos da polícia, provocou, veio baralhar de novo os dados e introduzir incerteza na equação eleitoral. Por um lado, ao evitar uma condenação demasiado expressiva da brutalidade policial, Trump evita irritar os seus fiéis apoiantes, Por outro lado, os saques, as pilhagens, a violência que minorias radicais introduziram nos protestos, trabalham a favor de um Presidente que se apressou a ameaçar os manifestantes com chumbo quente e a responsabilizar os governadores por não terem respondido com a violência adequada. Trump, de parvo não tem nada.

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