Turbulências no estrangeiro

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 18 Outubro 2019
Turbulências no estrangeiro
  • Alberto Magalhães

 

 

Os sarilhos vão-se acumulando, sem que se vislumbrem soluções satisfatórias. Em Hong Kong, a luta inglória e cada vez mais perigosa contra a ditadura do Partido Comunista Chinês, não tem fim à vista, mas a qualquer momento o fantasma de Tienanmen pode saltar para a ribalta; na Catalunha, embora Espanha não seja a China, a situação vai permanecer num impasse até às eleições de dia 10 de Novembro e, muito provavelmente, manter-se-à um barril de pólvora muito para lá dessa data; na Síria, a traição de Trump impulsionou Erdogan à invasão e as tropas russas substituem as americanas, num movimento tão perfeito que parece ter sido combinado com Putin.

Mas, dir-me-ão os mais optimistas, pelo menos, foi finalmente possível estabelecer um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia para o divórcio, evitando-se um Brexit sem acordo. Disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte (segundo o jornal Público), que “para fechar o acordo foi preciso enfiar um quadrado num círculo dentro de uma caixa”, e concluiu que “à primeira vista, todas as “linhas vermelhas” dos britânicos e dos europeus foram respeitadas”.

Eu, que ando menos optimista, ainda não percebi o que mudou em relação às outras versões do acordo, que Theresa May viu chumbadas na Câmara dos Comuns. Pareceu-me assim uma coisa do tipo “a Irlanda do Norte continua na UE, como se pertencesse à República da Irlanda”. Os unionistas do DUP, também não parecem convencidos, os escoceses continuam contra o Brexit, os liberais também e o líder trabalhista, Corbin, acha esta quarta versão pior do que as anteriores. Por uma vez é capaz de ter razão.

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