Ucrânia e Rússia

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 10 Fevereiro 2022
Ucrânia e Rússia
  • João Simas

Vivemos tempos perigosos, num mundo globalizado. Parece que a memória é curta e as distrações são muitas. Ainda há poucos anos houve terríveis guerras civis na ex-Jugoslávia com massacres e genocídios entre sérvios, croatas e muçulmanos. O século XX foi palco de duas guerras mundiais, em que um dos principais problemas foi o dos nacionalismos exacerbados, com a criação de estados-nação em que as minorias foram excluídas, com milhões de cidadãos que ficaram apátridas ou foram simplesmente discriminados até à solução final.

A Ucrânia e a Rússia, que são os países mais extensos da Europa, têm uma história interligada ao longo de séculos. A própria Rússia teve como uma das primeiras capitais Kiev, hoje capital da Ucrânia. A Ucrânia, foi ocupada em várias épocas, foi território de guerras contínuas entre o expansionismo germânico e russo, desde a Ordem Teutónica e Prússia aos impérios alemães que lhes sucederam. Também as hordas mongóis, a República Lituano-Polaca, cuja nobreza reduziu os camponeses à servidão, levando à fuga de muitos que se tornaram cossacos na Ucrânia e Rússia, milícias conhecidas pela sua ferocidade, sem obediência fixa, nas estepes da Ucrânia e Rússia.

O próprio termo Ucrânia, significa zona de fronteira. E as suas fronteiras têm mudado muito ao longo da história

Na Ucrânia atual há, não apenas ucranianos, mas russos e tártaros, além de outras minorias. Mesmo na religião predominante, uns estão ligados ao Patriarca Ortodoxo de Kiev, outros ao Patriarca de Moscovo, outros a Roma, além de outras minorias religiosas.

Há zonas rebeldes em regiões da Ucrânia onde a maioria é russa e o problema da Crimeia não está completamente resolvido.

Falamos ainda de regimes que de democracia não têm quase nada, a não ser uma mera expressão formal.

Ainda há a expansão militar. Deixou de haver, como nos tempos da guerra fria, países com estatuto de neutralidade, como a Finlândia. Hoje há tropas e armas da NATO em quase todos os países que circundam a Rússia.

Lembremo-nos, de passagem, da crise dos mísseis em Cuba, em 1962, em que se esteve à beira da terceira guerra mundial. Os EUA não admitiam esse tipo de armas perto da sua fronteira.

Já estamos numa guerra económica, com boicotes, onde pode haver cortes de gás na Ucrânia e outros, como a Alemanha. A Rússia e a China que foram rivais durante décadas, mesmo com regimes denominados comunistas, estão a aproximar-se.

Nem todos os países da Europa têm a mesma posição. A França ainda tenta outra diplomacia, um pouco na linha de De Gaulle, autor da célebre frase em que dizia que a “Europa vai do Atlântico aos Urais”.

Espera-se que haja bom senso!

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