Um ano de Guerra

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 24 Fevereiro 2023
Um ano de Guerra
  • Glória Franco

Viva

Faz hoje um ano que a Rússia invadiu a Ucrânia.
O Mundo já não é o mesmo, toda uma geração está a ser empurrada para um não-futuro anunciado.
Esta semana falou Putin; esta semana falou Biden; esta semana Stoltenberg falou. Extremaram-se posições e extremaram-se os discursos.
A Rússia está na guerra, mas o seu território vive em paz, a guerra está além-fronteiras. As sanções aplicadas pelo Ocidente não estão a fazer os efeitos desejados, são suaves e progressivas o que permitem a reorganização do país. Vamos entrar no 10º pacote de sanções e os resultados continuam a não atingir os objetivos pretendidos. Estes efeitos continuam a ser contornados.
A aposta nos nacionalismos com discursos manipuladores, por Putin, começa a revelar alguns frutos que Ocidente não consegue combater, com racionalidades credíveis. A extrema-direita aproveita esta ocasião para fazer passar as suas mensagens.
Por outro lado, a China, assume não enviar armas à Rússia, mas diz manter-se vigilante e apela a que o Ocidente pare de armar um dos lados. Ora como todos sabemos, a Rússia está fortemente dependente economicamente deste seu vizinho, o qual vê como parceiro credível. A China mantem-se na sombra, fala pouco, mas está sempre presente e aproveita a crise para reforçar as suas posições em contexto internacional.
Não estando em causa o apoio à Ucrânia, claro que este é importante, o futuro continua incerto.
Toda esta guerra é triste e horrorosa (como todas as guerras) mas os discursos moralistas nada contribuem para que ela termine. Estes só podem levar a uma escala militar indesejável.
Estamos a assistir a uma glorificação da NATO sem que exista um empenho e um compromisso para com a paz. A componente assistencialista não resolve o problema, assim como não o resolve a falta de empenho diplomático de ambas as partes, deixando de lado discursos retóricos e estruturados com base em autoelogios.
Esta é uma guerra sem vencedores, a vitória militar não é possível para nenhum dos lados, o conflito está para durar. Não é possível uma derrota da Rússia, não é credível uma rendição da Ucrânia. Assim tentando evitar uma escala inaceitável, só um plano de paz pode terminar com o conflito.
Mas se a Rússia recua, a guerra acaba; se a Ucrânia recua, desaparece.
Culpando o Ocidente de quer transformar este conflito numa guerra generalizada, Putin anuncia a autossuspensão da Rússia do tratado de redução de armas estratégicas. Em vigor desde fevereiro de 2011 e com renovação prevista para 2026, este tratado prevê que, os dois lados limitem o número de ogivas nucleares e de misseis balísticos. Em simultâneo com esta suspensão avisa que irá colocar novas armas nucleares à disposição e prontas para combate.
Enquanto tudo se desenrola, a UNICEF alerta para o elevado número de crianças mortas, feridas e/ou com os seus direitos suspensos. São vidas destruídas sem direito à infância. É toda uma geração que está a sofrer os efeitos devastadores de uma guerra causada pelas crenças megalómanas de alguns ditadores.
Terça, de manhã, falou Putin, terça, à tarde, falou Biden, terça de manhã e à tarde perderam-se vidas.

Saudações LIVRE’s

Até para a semana

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