Um caso judiciário espanhol

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 02 Outubro 2019
Um caso judiciário espanhol
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, impressionou-me um caso judiciário do lado de lá da fronteira, contado no Observador. Um espanhol divorciado, com uma filha menor, foi chamado a tribunal, por iniciativa da ex-mulher que pedia a revisão das responsabilidades parentais, alegando que ele melhorara substancialmente a sua situação económica e que muitas vezes ia buscar a filha apenas para a deixar em casa dos avós.

Apesar das alegações serem falsas, o homem viu o juiz subir-lhe a pensão da filha de 200 para 450 euros e retirar-lhe as tardes de terça-feira com a criança. Irritado e desconfiado, em vez de recorrer de tão injusta sentença, contratou um detective privado para vigiar a mulher. Obteve, deste modo, provas de que a sua ex-mulher tinha por amante, nem mais nem menos que o juiz.

O cavalheiro foi condenado pelo Conselho Geral do Poder Judiciário a 18 meses de suspensão sem vencimento, o que quer dizer que, daqui a ano e meio, poderá voltar a julgar outros casos, com toda a honesta imparcialidade que conseguir adquirir até lá. Pode um espanhol afirmar com assertividade que confia na justiça, como faz qualquer português quando perguntado? Certamente que não! Eles lá em Espanha são assim, têm magistrados humanamente imperfeitos, ou seja, perfeitamente humanos.

Nós, cá em Portugal, pelo contrário, temos magistraturas perfeitas e podemos estar descansados. Em compensação, não me consta que os ministros espanhóis da Defesa Nacional costumem desconhecer o que é um paiol militar.

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