Um caso

Sexta-feira, 19 Novembro 2021
Um caso

 

A comunicação social noticiou que a companhia aérea Lufthansa procedeu ao reembolso da última tranche da ajuda estatal que lhe foi concedida. Devolveu mil milhões de euros.

Esta notícia é marcante na medida em que este reembolso por parte da Lufthansa foi possível fruto do aumento de capital com o objetivo de obter financiamento, também pelo aumento da procura de viagens aéreas, pese embora esteja a operar muito abaixo da sua capacidade pré-crise, e, ainda, como resultado da reestruturação a que a Lufthansa foi submetida.

É um bom sinal, principalmente porque ele é dado por uma empresa que exerce a sua atividade num dos sectores mais atingidos pelos efeitos da pandemia e que, ao que tudo indica, ainda terá resultados negativos em 2021.

É um bom sinal porquanto a Lufthansa dá um bom exemplo ao mercado. Ao decidir antecipar o reembolso, devolve a totalidade dos 3,8 mil milhões de euros da ajuda estatal de que beneficiou, e mostra que as empresas quando são sustentáveis e possuem uma gestão competente conseguem ultrapassar com sucesso os obstáculos.

A gestão da Lufthansa já havia demonstrado uma atitude de bastante equilíbrio ao não ter pretendido a totalidade do montante que lhe foi disponibilizado, tendo apenas utilizado um montante ligeiramente superior a um terço do total que lhe foi inicialmente destinado. Agora, ainda com a pandemia a decorrer, veio “liquidar” a sua dívida.

Só o fato de utilizarem um apoio estatal pelo período mínimo, pelo tempo absolutamente necessário, acertando as contas com o Estado alemão assim que lhe foi possível, é de registar e apreciar, particularmente pela qualidade de gestão.

É uma cultura que admiramos e valorizamos.

Assenta numa lógica de empresa forte, de não recurso ao endividamento, de ser competitiva, daí que, ainda que num contexto adverso, também devido ao reajustamento porque passou com o objetivo de reduzir custos, possuir uma real capacidade de recuperação.

Uma empresa que terá que ter a capacidade de poder compensar, quer trabalhadores, quer acionistas, tornando a empresa atrativa para o mercado.

Talvez com exemplos como este o nosso país consiga entender as vantagens das empresas estarem fora da influência dos Governos, e dos benefícios que o país tiraria se o Estado não tiver que responsabilizar-se pelas dívidas de empresas, por que, no limite, serão os contribuintes a serem chamados a pagar esses compromissos.

 

Até para a semana

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